Rock In Rio: King Crimson encanta fãs e curiosos com show impecável | Música | Revista Ambrosia
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Rock In Rio: King Crimson encanta fãs e curiosos com show impecável

O palco Sunset do Rock In Rio 2019 fechou os trabalhos literalmente com chave de ouro. Foi com a primeira apresentação no Brasil de uma dos nomes mais importantes de rock progressivo, o King Crimson. Em 50 anos de carreira, a banda tem um número restrito, porém extremamente fiel de fãs, inclusive por aqui, onde se apresentaram pela primeira vez na sexta-feira, em São Paulo.O anúncio da vinda causou o mesmo sentimento de incredulidade e êxtase de quando o The Who foi confirmado na edição passada do festival. Mas no caso aqui a incredulidade é até maior, dado o ínfimo número de fãs que acreditava-se que os ingleses possuíam aqui.

De fato o Sunset não estava lotado. Tinha menos gente do que no show do Lulu Santos, que tocara logo antes. A maior parte do público estava em frente ao palco mundo segurando o lugar para o show do Imagine Dragons que começaria na sequência. Mas isso não diminuiu a emoção, na verdade até reforçou a aura mitológica, como a chuva que caiu durante a apresentação de outra lenda do progressivo que se apresentou no Rock In Rio, o Yes, na edição de 1985. A plateia era formada por fãs da banda, admiradores do gênero e até alguns curiosos, querendo saber do que se tratava.

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O KC entrou no palco sob aplausos efusivos e não dirigiu nenhuma palavra ao público. Os músicos apenas tomaram seus lugares e começaram a dar seu recado. Imediatamente um silêncio absoluto tomou conta da plateia, exatamente como no início de um concerto de música erudita. Daí uma extravagante tríade de baterias sincronizadas iniciou o espetáculo com a desconcertante ‘Drumzilla’. Na plateia o que se via eram rostos que alternavam alegria e assombro. A segunda, ‘Neurotica’, teve a letra cantada pelos fãs mais ardorosos. A música é faixa do álbum “Beat”, de 1982.

Os primeiros acordes de ‘Into the Court of the Crimson King’, grande clássico do cultuado primeiro disco de 1969 levou os fãs ao delírio, deixando a cerimônia de lado e entoando a melodia com “ôôô ôô ô ô”, contagiando até os recém-chegados à corte do rei escarlate. O curto setlist contou também com as consagradas ‘Indiscipline’, em que mais uma vez as baterias hipnotizaram a plateia, ‘Epitaph’. ’21st Century Schizoid Man’, outro clássico de 69, encerrou a apresentação, que devido às restrições de horário do Sunset (não poderia ultrapassar uma hora), incluiu sete músicas, contra dezenove em São Paulo.

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A banda é conhecida por diversas mudanças de integrantes. Da primeira formação, apenas o fundador, o guitarrista Robert Fripp está presente. O atual King Crimson também conta com Mel Collins (sopro), que esteve em um período de 1970 a 1972 e voltou em 2013, e o baixista Tony Levin, conhecido pelo instrumento pouco convencional que toca em algumas músicas, que entrou em 1981. Os demais são Pat Mastelotto na bateria e percussão, Gavin Harrison (idem), Jakko Jakszyk (vocal e guitarra), Theo Travis, substituindo Bill Rieflin nos teclados sintetizador e melotron, e Jeremy Stacey (bateria).

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Ao final desse já histórico show, gritos de “olê olê olê olê! Crimson! Crimson!” algo que certamente os ingleses nunca experimentaram antes. Até chegaram a registrar a reação da plateia com uma câmera. E no meio do público, a felicidade latente dos fãs que não acreditavam mais que assistiriam a banda ao vivo, comemorando o sonho realizado, e novos fãs conquistados. Um show enxuto, porém mais arrebatador do que muitos com duas horas e tantas por aí.

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Publicação Cesar Monteiro