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The Kooks tenta dar relevância à fórmula desgastada em "Let's Go Sunsihine"

O The Kooks surgiu entre àquela leva de bandas inglesas em meados da década passada, meio que como uma resposta inglesa à onda roqueira desencadeada pelos americanos dos Strokes. Desse levante inglês vieram o Kaiser Chiefs, Art Brut, Kassabian e a que hoje alcançou o maior êxito comercial, o Artic Monkeys. No primeiro álbum, o Kooks chamou atenção logo no disco de estreia, o bacaninha “Inside In/Inside Out”, de 2006, que trazia um rock descompromissado, de músicas fáceis e animadinhas. O segundo e ainda melhor “Konk”, lançado dois anos depois, mantinha a fórmula e consolidava os rapazes na cena rock indie.
Três meses depois de sua vinda ao Brasil, o The Kooks lança o quinto disco da carreira, “Let’s Go Sunshine” (Lonely Cat/Awal Recordigns, 2018). E o que se ouve é o natural desgaste de uma fórmula que era eficaz, mas tinha prazo de validade. Se formos buscar entre os grandes do rock, veremos outros exemplos que apostaram em uma fórmula simples e prolongaram sua relevância, seja atribuindo nuances, como os Rolling Stones, ou promovendo sofisticação como os Beatles e o The Who. Já os Ramones passaram a andar em círculos a partir da segunda década de vida, mas com lampejos de brilhantismo.
Esses lampejos também podem ser vislumbrados nesse álbum do Kooks, em especial na segunda metade (o que seria o lado b). A abertura com ‘Kids’ é apropriada, embora não inunde os ouvidos. A seguinte, ‘All The Time’, escolhida para ser o primeiro single, sai-se melhor com uma linha suingada, embora lembre um pouco demais o que o Artic Monkeys andaram fazendo. A estrutura segue a atual métrica de hits, com gancho logo na entrada e um refrão monocromático para facilitar a assimilação.
The Kooks tenta dar relevância à fórmula desgastada em "Let's Go Sunsihine" | Críticas | Revista Ambrosia
Ainda na primeira parte, ‘Chicken Bone’ é certamente a mais interessante. A seguinte, ‘Four Leaf Clover’, remete diretamente à pegada imprimida nos dois primeiros trabalhos, assim como ‘Pamela’. Justamente na tentativa de não soarem sempre os mesmos, a banda quis estabelecer em “Sunshine” um diferencial em relação a seus trabalhos iniciais, com um clima bem menos ensolarado, embora as composições continuem dançantes. Essa virada fica mais clara nos matizes psicodélicos de ‘Tesco Disco’ e ‘Initials for Gainsbourg’, e na densidade pretendida em ‘Picture Frame’ (essa visivelmente influenciada pelo Blur) e ‘Weight of the World’.
Com 15 faixas distribuídas ao longo de 53 minutos de audição, algumas gorduras excedentes são perceptíveis. ‘Honey Bee’ e ‘Believe’ são duas músicas que poderiam ficar de fora sem nenhum prejuízo. Fica claro em “Let’s Go Sunshine” que o Kooks está procurando lidar da melhor forma com a crise da meia idade, que em bandas de rock, chega ali pelos dez anos de carreira. Mas para manter a relevância (ou, quem sabe, aumentá-la) há de se avultar a ambição.

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