YAMÍ reúne ancestralidade e sons eletrônicos no primeiro disco | Música | Revista Ambrosia
Crédito: Ana Migliari
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YAMÍ reúne ancestralidade e sons eletrônicos no primeiro disco

Violoncelista italiano e percussionista baiano quebram barreiras geográficas e sonoras em álbum que traz parcerias com os cantores Njamy Sitson (Camarões) e Rita Benneditto (Maranhão)

Uma ponte entre o passado e o presente, o ancestral e o moderno é o ponto de partida do primeiro disco de YAMÍ, projeto que traz os instrumentistas Federico Puppi e Marco Lobo em um encontro que ultrapassa barreiras. O violoncelo elétrico do italiano se mescla à percussão orgânica do baiano, criando uma irresistível mistura que passa pela música brasileira, sons étnicos e aterrissa em beats.

O resultado é um disco plural com sete faixas, reunindo musicalidades diversas e parcerias. “YAMÍ” já está disponível nas principais plataformas de streaming.

 

Após os singles já revelados – “Siroco”, “Bah’li” (com o músico camaronês Njamy Sitson), “Baião da Onça” e “Yamí” (ao lado da cantora maranhense Rita Benneditto) -, Puppi e Lobo revelam novas facetas do projeto. A terceira faixa, “Marrakesh”, faz uma ligação direta com o Mediterrâneo, criando ambiências que ecoam logo a seguir, em “Nkoni”, outra parceria com Sitson.

O título significa “amor” em Medumba, língua nativa de Camarões, e introduz uma faixa mais delicada. Ela abre caminho para o encerramento com “Dança do Fogo”, composição que inicia de forma acústica e leva ao momento mais eletrônico de todo o álbum, em clima tribal. 

Não por acaso, a arte de capa leva remete à entrada de um portal, representado por um oratório onde jaz o rico acervo instrumental de YAMÍ. “Esse disco é um ponto de chegada de um processo criativo e, ao mesmo tempo, o ponto de partida do projeto. O álbum é um portal para a sonoridade do YAMÍ. Por isso também todas as capas, dos singles e do disco, são portais de vários tipos”, revelam os músicos.

Com shows em festivais pelo país e parcerias nos palcos com nomes como Criolo, Tulipa Ruiz e Castello Branco, eles construíram a sonoridade do duo em um longo processo criativo. Foi mais de um ano de experimentação ao vivo, fundindo as três raízes do projeto: o couro, as cordas e a eletricidade. Esse laboratório, que se estendeu por shows na Bahia, no Rio de Janeiro em festivais diversos pelo Brasil, deixou cada apresentação única, culminando na segunda parte do processo – as jams no estúdio Ouvido em Pé, um espaço próprio e de experimentos sem limites. 

“Em abril de 2019, sentimos a necessidade de compor um novo repertório para o YAMÍ, considerando todas as possibilidades sonoras que tínhamos encontrado até esse ponto. Rabiscamos as músicas, fomos para o estúdio e começamos a gravar. A composição, a gravação e a produção musical ficaram uma coisa só neste processo: os limites entre essas áreas sumiram completamente e a gente gravava compondo, produzia arranjando”, relembra o duo.

Italiano radicado no Brasil, o violoncelista Federico Puppi lançou em 2018 o disco “Marinheiro de Terra Firme”, seu segundo trabalho autoral – sucessor da estreia, “Canto da Madeira” – e que já flertava com a música eletrônica. Como produtor, trabalhou ao lado de Maria Gadú no disco “Guelã”, indicado ao Grammy Latino, entre outros nomes da cena brasileira. 

YAMÍ reúne ancestralidade e sons eletrônicos no primeiro disco | Música | Revista Ambrosia

Já Lobo é um dos grandes nomes da percussão, com três álbuns solo e tendo trabalhado com artistas importantes, tais como Milton Nascimento, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Virginia Rodrigues, Lenine, João Bosco, Ivan Lins e Marisa Monte. Além disso, ele tem desenvolvido projetos com músicos de todo o mundo, como o baterista Billy Cobham e o trio Elf, e ainda participa do grupo World Percussion Ensemble. A percussão de Lobo em Yamí inclui, além dos atabaques, instrumentos do folclore brasileiro como berimbau, gungas e tambor de onça, além de pads eletrônicos  e outros instrumentos experimentais como hang drum, tubos e sucatas. 

Yamí é um encontro de culturas e tempos diferentes, onde ancestralidade e futuro dançam juntos. O álbum de estreia já está disponível para streaming.

Tracklist

1 Baião da Onça (Marco Lobo/Federico Puppi)

2 Bah’li feat. Njamy Sitson (Federico Puppi/Marco Lobo/Njamy Sitson)

3 Marrakesh (Marco Lobo/Federico Puppi)

4 Siroco (Federico Puppi/Marco Lobo/Njamy Sitson)

5 Yamí feat. Rita Benneditto (Rita Benneditto)

6 Nkoni feat Njamy Sitson (Federico Puppi/Marco Lobo/Njamy Sitson)

7 Dança do Fogo (Marco Lobo/Federico Puppi)

 

Ficha técnica

Marco Lobo: Percussão + Eletrônica

Federico Puppi: Cello +  Eletrônica

Rita Benneditto: Voz e percussão na faixa nº 5

Njamy Sitson: Voz nas faixas nº 2 e 6

 

Produzido por Marco Lobo e Federico Puppi

Gravado no estúdio Ouvido em Pé (Rio de Janeiro) por Federico Puppi e Marco Lobo entre abril e julho 2019

Mixado por Diogo Guedes no estúdio Toca do Mendigo (Rio de Janeiro), exceto faixa nº 7, mixada por Federico Puppi no estúdio Ouvido em Pé

Masterizado por Giovanni Versari no estúdio “La Maestá” (Itália)

 

Faixa-a-faixa, por Federico Puppi:

1 Baião da Onça: Foi a primeira música que criamos para esse projeto. Nasceu de uma improvisação no estúdio, livremente e quase um ano depois retomamos e a completamos. É uma música que une a sonoridade do baião, do nordeste, com o eletrônico. O cello vira uma espécie de rabeca com drive e o berimbau dialoga com os synth com arpeggiator.

2 Bah’li: Parceria com nosso amigo Njamy Sitson, essa música é a mais longa do disco. O tema abre com uma sonoridade mais “baiana”, com djembe e baixo bem presentes, e do meio pra frente assume uma identidade mais electro. O Njamy gravou na Alemanha e nos enviou várias vozes, todas incríveis! Tivemos que escolher, e não foi fácil… Essa música vai ganhando força ao longo da estrutura, o Njamy canta em Medumba (dialeto do interior de Camarões) e parece um guerreiro, com muita força e energia.

3 Marrakesh: Marrakesh tem uma sonoridade inspirada no Mediterrâneo, com um toque de instrumentos norte-africanos. O beat e o baixo são muito presentes, enquanto kora, cello e synth costuram as melodias. Os atabaques são um elemento fundamental com a sonoridade ancestral que carregam. Marrakesh é uma música para dançar, uma viagem sonora.

4 Siroco: Esse foi o primeiro single do Yamí. A música tem uma pegada bem eletrônica, com atabaques marcando o pulso e uma forte melodia de cello e synth. Siroco é um vento que sopra do Saara em direção ao Mediterrâneo. É um sopro quente que transporta areia, também conhecido como ghibl em árabe e scirocco na Itália, e é responsável para nevascas laranjas nas Alpes por causa da areia. Escolhemos esse nome porque o vento  é algo que vem de longe, atravessa barreiras, é uma energia de movimento, ao mesmo tempo é algo impalpável mas muito perceptível. O vento é ar, é som, é viagem. Brisa e furacão. O vento traz a tempestade e também leva as nuvens embora. O vento é força e esperança. Atravessa muitos lugares, culturas e povos, assim como a música do Yamí. 

5 Yamí: A Rita Benneditto compôs essa música depois de ter assistido ao nosso show. Nos enviou uma gravação à capela e logo de cara nos apaixonamos. Decidimos gravá-la imediatamente. A música contém ritmos típicos do Maranhão, terra da Rita, que juntamos com a nossa sonoridade. O resultado foi muito impactante para gente. Essa composição resume bem a alma do projeto, seja pelo próprio nome, seja pela junção de ritmos ancestrais com beats eletrônicos. Essa união criou um mantra muito forte e emocionante. A voz da Rita trouxe uma magia e uma espiritualidade que ficou marcante. 

6 Nkoni: Essa música é outra parceria com Njamy Sitson. A palavra significa “amor” em Medumba. É uma composição mais doce, carinhosa. 

7 Dança do fogo: Música que fecha o disco, abre com uma introdução mais acústica e logo depois se transforma na faixa mais eletrônica do álbum. Ela é muito tribal, como fosse uma dança ao redor da fogueira, um ritual electro ancestral para fechar o ciclo deste álbum.

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Publicação Build Up Media