A força e a diversidade da música baiana rendeu debate na Rio2C

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O que é que a Bahia tem? A primeira e mais óbvia resposta é… música. No painel da Rio2C 2024 mediado por Zé Ricardo, curador do RIO2C e vice-presidente artístico da Rock World – empresa dona do Rock In Rio e The Town – o tema foi o estado brasileiro como um celeiro musical. “Bahia, um Estado Disfarçado de Gravadora” contou com Lázaro Araújo, o Lazinho, compositor e fundador da Banda Olodum, o trio Os Gilsons (Francisco, João e José Gil) e a estrela da Axé Music Daniela Mercury.

Zé Roberto tem ligação estrita com a música baiana. Para o criador do Olodum, no passado as pessoas não viam como a música salva-vidas, que tira da marginalidade, da delinquência. Para ele o poder da música da Bahia é a ancestralidade afro na Bahia a música gospel por exemplo vai ter samba reggae.

A música que começou com Dodô e Osmar, inventores do trio elétrico e da guitarra baiana, chegou à nova geração representada pelos Gilsons. Para Daniela todo mundo que absorveu samba de roda, Assis Valente, João Gilberto é como se fosse uma família. Ela recorda que em ‘O Canto da Cidade’ já queria algo diferente, e que a música de Sarajane já era uma tentativa de moldar o que viria a ser conhecido como Axé Music.

Daniela lembrou que ‘Swing da Cor’ foi a primeira vez que o Olodum tocou com baixo guitarra e bateria. Segundo ela, o metrônomo ficava baixo, os garotos não ouviam. Então ela tinha que traduzir para os instrumentistas dançando. “A Bahia é ousada e transforma tudo que você nem reconhece mais”, observou.

Daniela diz que a influência africana angolana nos determina como algo à parte. Diferente de qualquer lugar do mundo. Os meninos trouxeram a influência do Ijexá

José diz que a música é misturada se aproveitam de todas as influências, o violão de nylon. João diz que também vê como uma mistura intencional

Eles quiseram juntar duas claves misturadas e demonstraram com palmas acompanhadas pela plateia. Zé Ricardo brincou dizendo que quem não sabia o que é clave aprendeu.

Lazinho define o Olodum é contador de histórias. “A maioria das pessoas não acredita em histórias mas nós acreditamos.”, disse.

O painel também lembrou Negrinho do Samba, criador do samba reggae, tirou o apito e fez um músico só executar vários toques, o que faz cinco ritmistas parecerem cinquenta, como lembrou Lazinho. O músico ainda observa que Salvador é 87% negra e não havia nada para negro. Coube Olodum suprir essa lacuna com vários projetos para as minorias.

José do Gilsons contou que estava conversando com o Russo Passapusso do Baiana System, que diz que o trio fazendo música agora é como se estivessem juntando pontas da presença da ancestralidade influenciando o futuro.

Lazinho refletiu sobre o impacto transformador da música sobre as populações marginalizadas. “Se a música não entrasse em minha vida… eu não sei”, disse bastante emocionado e aplaudido de pé. Ele se lembra de que em 1990, os músicos do Olodum ganharam em dez libras na Escócia para alimentação e chegou onde chegou, tendo parcerias com astros como Paul Simon Peter Gabriel e Michael Jackson

Claro que esse painel não poderia terminar sem canja. Daniela Mercury, o Ilê Aiyê é Oxalá e o Olodum é o erê, e cantou a música ‘Olodum é Rei’.

Os Gilsons cantaram ‘Várias Queixas’ e Lazinho o hit ‘Faraó’, de Margareth Menezes, que contou com Zé e os Gilsons fazendo beat box.

Imagem: Filmartmediacontent2

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