Cidade de Deus será restaurado em 4K com inteligência artificial

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Uma das maiores produções brasileira nos cinemas, de todos os tempos, Cidade de Deus vai ganhar uma cópia restaurada em 4K. A informação foi confirmada pelo CEO da O2 Filmes, Paulo Barcellos, durante um debate na 19ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto.

Mais de duas décadas após o lançamento, o filme de Fernando Meirelles passará por um processo de restauração inédito. A produtora está trabalhando na recuperação do longa-metragem, que inclui resgate de negativos originais, transição de formatos de imagem e até o uso de inteligência artificial para ajustar imperfeições técnicas e efeitos de pós-produção.

A restauração está sendo realizada em um laboratório em Los Angeles, e o filme resultante conterá imagens em altíssima resolução, algumas delas em tecnologia 4K e 6K. Duas versões restauradas serão criadas: uma com modificações em efeitos sonoros e visuais, gerando um filme tecnicamente inédito, e outra mais fiel à original de 2002, com melhorias gerais nas imagens e sons.

Cidade de Deus, uma obra prima

O filme “Cidade de Deus”, dirigido por Fernando Meirelles e Kátia Lund, mergulha nas profundezas da vida em uma das favelas mais violentas do Rio de Janeiro. Lançado em 2002, o filme é baseado no livro homônimo de Paulo Lins e apresenta uma narrativa intensa e visceral.

A trama se desenrola na Cidade de Deus, uma comunidade marcada pela pobreza, violência e tráfico de drogas. O protagonista, Buscapé (interpretado por Alexandre Rodrigues), é um jovem sensível e talentoso para a fotografia. Ele observa o cotidiano da favela e registra suas histórias por meio de sua câmera.

Ao longo de décadas, o filme acompanha a ascensão do crime organizado na Cidade de Deus. O impiedoso traficante Li’l Zé (Leandro Firmino) e o justiceiro transformado em criminoso Knockout Ned (Jonathan Haagensen) protagonizam uma guerra sangrenta pelo controle do território.

O filme é notável por sua autenticidade. Muitos dos atores eram moradores reais de favelas, o que confere à produção uma veracidade impressionante. A câmera ágil e a trilha sonora pulsante contribuem para a atmosfera tensa e crua. “Cidade de Deus” não apenas retrata a violência, mas também examina as escolhas e dilemas enfrentados pelos personagens em um ambiente hostil. A frase marcante do filme – “Se correr, o bicho pega; se ficar, o bicho come” – resume a dura realidade vivida por seus habitantes.

O filme recebeu aclamação da crítica e foi indicado a quatro categorias no Oscar de 2003: Melhor Fotografia, Melhor Diretor, Melhor Edição e Melhor Roteiro Adaptado. Embora não tenha vencido, sua influência marcou de forma intensa o cinema do Brasil.

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