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Com "Jogador Nº 1" Spielberg se apoia na nostalgia para recuperar status de Midas

A estreia de “Jogador Nº 1” é uma das mais aguardadas do ano e não é para menos. É o retorno de Steven Spielberg à seara que o consagrou como cineasta. A dos filmes escapistas, do cinema das sensações que ele sedimentou junto com George Lucas. Essas produções redefiniram o que se entende por cultura pop até os dias de hoje, tanto é que ganham referência em um sem número de produções (“Stranger Things” é o melhor exemplo atual). “Ready Player One” (no original) é a adaptação do livro homônimo escrito por Ernest Cline, que virou coqueluche no mundo geek justamente por evocar a atmosfera dos filmes de Spielberg dos velhos tempos.
O cenário é um distópico ano 2045. Assim como quase toda a população da Terra, o jovem Wade Watts (Tye Sheridan) realmente se sente vivo é quando ele escapa para o OASIS, um universo virtual imersivo onde a maioria da humanidade passa seus dias. No OASIS, você pode ir a qualquer lugar, fazer qualquer coisa, ser alguém – os únicos limites são sua própria imaginação. O OASIS foi criado pelo brilhante e excêntrico James Halliday (Mark Rylance), que deixou sua imensa fortuna e controle total do Oasis para o vencedor de um concurso que ele projetou a fim de encontrar um herdeiro digno. Wade entra nessa caça que o leva a descobertas e perigos para salvar o OASIS.
Com "Jogador Nº 1" Spielberg se apoia na nostalgia para recuperar status de Midas | Críticas | Revista Ambrosia
Por mais que Spielberg tenha tido grande reconhecimento por produções sérias como “Ponte dos Espiões” e “The Post”, o que todo mundo quer mesmo ver é sua faceta menino sonhador. Depois de “Jurassic Park: Parque dos Dinossauros”, seus filmes de puro entretenimento tinham resultado irregular e nenhum foi de fato memorável.  O anúncio de que o cineasta estaria à frente da versão cinematográfica do best seller de Cline gerou ansiedade pois essa seria uma plataforma segura para que ele recuperasse seu status de Midas do cinemão. E ele mostra que, apesar de ser um Peter Pan que saiu da Terra do Nunca (mais ou menos como no malfadado “Hook: A Volta do Capitão Gancho”), ele não desaprendeu a arte de nos levar para um outro mundo ao apagar das luzes da sala de exibição.
Com um pouquinho de ferrugem, é verdade. Até pelo fato de a matriz literária não fornecer estofo suficiente para proporcionar um novo “Contatos Imediatos de Terceiro Grau”, ou um “Jurassic Park”, apesar de ter sido escrita de olho em uma adaptação. O filme é lotado de referências pop, em sua maioria dos anos 80 (é bom adiantar que não é possível captar todas assistindo uma vez só) e Spielberg claramente se diverte com elas. A bem da verdade, a maior graça do filme é coletá-las.
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A questão é que, assim como na obra original, essa verdadeira pândega nostálgica é usada em “Jogador Nº 1” como força motriz para impulsionar uma história sem nenhuma surpresa ou impacto. Apartando esse recurso tão irresistível e certeiro, o que fica é uma produção correta, capitaneada por um Spielberg eficiente, mas com apenas alguns lampejos da magia de outrora. O clima é mantido pela trilha sonora de Alan Silvestri, uma espécie de prima-irmã da que compôs para “De Volta para o Futuro” (que ganha inserções).
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A transposição do material feita pelo próprio Cline junto com Zak Penn (roteirista de “X-Men 2” e “Os Vingadores”) é bem sucedida em enxugar alguns pontos (embora alguns aspectos do Oasis pudessem ser ao menos pincelados na contextualização). Porém, falha em minimizar alguns aspectos da personalidade do protagonista fundamentais na geração de empatia. Mas Tye Sheridan se esforça em interpretá-lo com simpatia e no tom certo. E Mark Rylance segue em sua parceria com Spielberg. É o terceiro trabalho juntos em três anos. Sua composição do personagem, criador da Oasis, é claramente um amálgama de Steve Jobs com Mark Zuckerberg.
Pode-se dizer que a visita de Spielberg à Terra do Nunca foi proveitosa. Ele já não voa como antigamente, mas mostrou que tem pó de pirlimpimpim suficiente, inclusive para outras que possa vir a fazer no futuro. É nisso que reside o trunfo de “Jogador Nº 1”: na aposta no entretenimento genuíno trazida por quem melhor entende do assunto.
Com "Jogador Nº 1" Spielberg se apoia na nostalgia para recuperar status de Midas | Críticas | Revista AmbrosiaFilme: Jogador Nº 1
Direção: Steven Spielberg
Elenco: Tye Sheridan, Olivia Cooke, Ben Mendelsohn
Gênero: Ação/Aventura/Ficção Científica
País: EUA
Ano de produção: 2018
Distribuidora: Warner Bros
Duração: 2h 20 min
Classificação: 12 anos

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Publicado por Cesar Monteiro

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