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“Florence: Quem é essa Mulher?” é agradável como uma clássica matinê

Geralmente, o material humano é o que torna uma história num grande filme. O diretor britânico Stephen Frears é meticuloso nessa perspectiva em seus filmes. Basta lembrar que, mesmo intrínseco numa ambientação sócio-política importante, era na fragilidade emocional de sua gama de personagens que ele tirava o principal êxito do clássico Ligações Perigosas, assim como jogava todo o peso dramático de Philomena nos gestos quase ingênuos de sua protagonista homônima.

Agora imprime essa mesma sutileza em seu novo trabalho, Florence: Quem é essa Mulher?Baseado em fatos reais, o filme narra a história de Florence Jenkins (Meryl Streep, dispensa adjetivos, de novo!), uma herdeira milionária de Nova York na década de 40, cujo o sonho era se tornar uma célebre cantora de ópera, apesar de ter uma voz horrível.

Ela é casada com St Clair Bayfield (Hugh Grant), um aristocrata ilegítimo e um ator tão medíocre quanto Florence era como cantora. Ambos vivem um casamento mais baseado em afeto do que propriamente sexo, mesmo ficando nítido o quanto ele dedica-se a fazê-la feliz.

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O diretor trata sua protagonista com um afeto primordial para que, em menos de 10 minutos de filme, já caiamos de amor por aquela persona. E também um boa dose de humor inglês ao retratar a sociedade da época diante dessa personalidade um tanto pitoresca.

O roteiro não aprofunda muito sobre os revezes da “cantora” (sua biografia é bem mais dramática), mas faz um recorte bem representativa do que significou a presença de Florence na sociedade novaiorquina da época. Para isso, sempre teremos Meryl, que definitivamente, domina qualquer papel que tenha em mãos. As cenas em que canta (tenebrosamente) são de chorar de rir, ao mesmo tempo em que nunca deixa que enxerguemos sua personagem como uma ridícula. É uma composição difícil, mas inteligentíssima.

Assim como as atuações de um envelhecido Hugh Grant (deixando as canastrices para as comédias românticas, e atuando numa estatura igualmente assertiva a de Streep) e Simon Helberg, uma incrível surpresa para quem não acompanha a interminável série The Big Bang Theory, como o afeminado e sensível pianista que a acompanha no plano de virar a artista que ela sonha ser. 

Florence: Quem é essa Mulher? ainda nos presenteia com uma brilhante reconstituição de época, que só ajuda a adornar a história dessa personagem de maneira ainda mais lúdica, deixando a sensação de que acabamos de assistir aqueles filmes edificantes que eram como analgésicos para a vida, em matinês vespertinas.

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Publicação Renan de Andrade