“Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa”: um olhar definitivo sobre o amadurecimento do herói

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Para além da histeria sobre possíveis spoilers, acredite, o grande valor do filme-evento mais esperado desse mundo pós pandemia, Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa é a jornada de amadurecimento que, enfim, o Peter Parker de Tom Holland se encontra e se desenvolve brilhantemente. Ele, suas participações na MCU e seus filmes anteriores, mantinham uma natureza um pouco distante da “jornada do herói” que o constituiu nos quadrinhos e que Sam Raimi tão bem soube construir na primeira trilogia do aracnídeo no cinema.

Agora, o diretor Jon Watts parece que compreendeu a complexidade dramática da frase “grandes poderes trazem grandes responsabilidades” para com seu protagonista. E o filme ganha tanto com isso, que o figura ali ao lado de Homem-Aranha 2 (2004) como melhores da franquia.

A trama começa exatamente do fim do filme anterior “Longe de Casa”, quando o vilão Mysterio (Jake Gyllenhaal) expõe ao mundo a identidade do herói. Park tem que lidar com as consequências trágicas dessa exposição. Tanto de forma macro, como na intimidade, já que ele é um jovem ainda no colegial tentando entrar para uma faculdade e isso acaba prejudicando não só ele, mas seu melhor amigo Ned (Jacob Batalon) e seu grande amor MJ (Zendaya).

Assim, ele procura o Dr. Estranho (Benedict Cumberbatch) para que, com um feitiço, apague a memória de todos, o que acaba dando errado e seres de outros universos surgem, complicando ainda mais a vida de Parker.

Ao lidar com vilões desses outros universos – e estamos falando de Dr. Octopus (Alfred Molina), Electro (Jamie Foxx), Duende Verde (Willem Defoe), Homem Areia (Thomas Haden Church) e Lagarto (Rhys Ifans) – ele tem a dimensão de quem ele é como em filme nenhum teve. Para tal, exige muito dramaticamente de Holland e ele dá conta brilhantemente (ele sempre foi bom ator, antes de ser herói da Marvel), para além de seu habitual carisma.

O “grande poder trazendo grande responsabilidade” também se estendeu ao ótimo roteiro de Chris McKenna e Erik Sommers que costura as demandas e as catarses da história com habilidade, dando conta de todas as pontas que suas ramificações vão abrindo.

Com humor, drama e easter eggs, afinal é um filme Marvel! Homem-Aranha: Sem Volta Pra Casa não tem beleza plástica. Talvez esse seja seu único ponto fraco. A fotografia é protocolar. Mas Jon estava focado no amadurecimento de seu herói e nisso ele é muito bem sucedido. Para além de tudo o que o filme oferece para chegar até isso (e há muita fartura no que ele tem a oferecer), ver Peter Parker assumindo a grande responsabilidade de ser Spider-Man é o que o torna o grande filmaço que é.

Obs: foquem no filme. As cenas pós créditos são dispensáveis como cenas pós crédito. A primeira é previsível e a segunda é, na real, um teaser. Foquem no filme!

Nota: Fantástico 4,5 de 5 estrelas

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