“Pânico” não se sustenta só como memória afetiva

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A dobradinha entre Wes Craven e Kevin Williamson na criação do que chamarei de “Universo Pânico”, lá nos anos 1990, redefiniu o conceito de slasher dos filmes de terror, arregimentou toda uma geração de fãs e marcou a cultura Pop.

25 anos após o primeiro filme, “Pânico” volta com uma nova história, mas rindo e referindo a si mesmo como elemento primordial de seu retorno.

Sem seus criadores originais (Craven morreu e Kevin está apenas na produção executiva), o filme já começa jogando pesado na memória afetiva, trazendo de volta sua protagonista emblemática, Sidney (Neve Campbell), além do ex-casal Gale e Dewey (Courteney Cox e David Arquette), inserindo-os numa trama cujo suspense de quem está por trás dos violentos assassinatos do Ghostface dialoga com um conceito muito em voga hoje: o fan service.

Aí está o carisma do filme, mas também seu grande problema. Talvez os novos roteiros e visões criativas se fiem demais no peso clássico da franquia. Isso se reflete nos furos da história, na justificativa tola do “quem matou?”, e, para piorar, no esvaziamento da figura significativa de Sidney na história em si. Ela não tem o peso que seu papel precisa até para o conceito que o filme propõe.

Óbvio que não deixa de ser divertido como os quatro filmes anteriores acabaram sendo. Mas não dá para creditar somente à autorreferência para justificar sua importância para novas e velhas plateias.

Nota: Regular – 2.5 de 5 estrelas

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