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American Horror Story: 1984 traz sangue, nostalgia e coadjuvantes memoráveis

A nostalgia está na moda! Uma prova disto é que American Horror Story foi beber na prolífica fonte dos anos 80 para realizar sua nona temporada. O resultado foi uma reunião de serial killers, muito sangue, um acampamento macabro e nove episódios que, apesar de irregulares, ainda criam uma narrativa melhor que a da temporada passada.

Os amigos Montana (Billie Lourd), Xavier (Cody Fern), Chet (Gus Kenworthy) e Ray (DeRon Horton) vão trabalhar no acampamento Redwood, recentemente reinaugurado, e convencem a recém-chegada Brooke (Emma Roberts) a acompanhá-los. O acampamento havia sido palco de um massacre em 1970, quando nove pessoas foram mortas por um ex-combatente da Guerra do Vietnã que tinha apenas um objetivo na vida: matar. O criminoso, conhecido pelo apelido Sr. Tinido – ou Mr. Jingles no original – foi internado em um hospital psiquiátrico, mas escapou ao saber que o acampamento seria reaberto.

Margaret (Leslie Grossman), a nova dona do acampamento Redwood, é sobrevivente do massacre de 1970 e também é extremamente religiosa, navegando entre a moral hipócrita e o uso do nome de Deus para justificar atos horríveis. Além dela, outros funcionários do acampamento são a enfermeira Rita (Angelica Ross) e o monitor Trevor (Matthew Morrison).

Pouco antes de ir para o acampamento, Brooke teve seu apartamento invadido pelo Caçador Noturno – ou Night Stalker no original – um serial killer que está aterrorizando Los Angeles. O homem a segue até o acampamento, onde haverá muita matança. O Caçador Noturno, interpretado por Zach Villa, foi um serial killer real, chamado Richard Ramirez.

Esta temporada é ainda mais sanguinolenta que as anteriores. Isso não é de se espantar, pois a temporada traz uma homenagem aos filmes de terror slasher dos anos 80 – aqueles em que um serial killer persegue um grupo de pobres incautos. Além disso, os mais nostálgicos gostarão muito do figurino e da trilha sonora oitentistas.

A fotografia é bem escura, e vários episódios apresentam a ação de uma única noite. As tramas que vão e voltam no tempo, em flashbacks e flash-forwards, podem parecer confusas, mas no último episódio fazem todo sentido.

Os grandes destaques da temporada foram Angelica Ross, John Carroll Lynch e Lily Rabe. Ross interpreta uma personagem que passa por vários plot twists, mostrando motivações surpreendentes e nem sempre corretas, e é nos dois últimos episódios que ela se torna mais interessante. Ross se tornou a primeira atriz transexual a ser creditada como parte do elenco fixo em duas séries ao mesmo tempo (Pose e American Horror Story). Lynch, que já havia interpretado o palhaço Twisty na quarta temporada, encarna aqui o atormentado Mr Jingles, e sua saga é a mais completa e humana de todas. Lily Rabe, participando em apenas três episódios, é maravilhosa como Lavinia, personagem de suma importante para um desfecho que é capaz inclusive de arrancar lágrimas do espectador.

O objetivo de American Horror Story: 1984 é mostrar que há maldade dentro de todos nós, esperando para ser alimentada pelo ódio e pela raiva. Sem tom de lição de moral, a temporada em parte redime uma série antilógica que tem fãs fiéis, apesar de seus altos e baixos.

 

Cotação: 3,5 de 5 estrelas

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