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Barry: a morte nunca foi tão engraçada

A comédia televisiva vai bem, obrigada. Mas a comédia televisiva ousada, surpreendente, disruptiva, está melhor ainda. Vivemos em tempos difíceis, pessimistas, muito longe dos amores de contos de fadas e das sagas de famílias perfeitas – e este é um dos motivos pelos quais o humor negro vem ganhando popularidade. E uma das melhores comédias de humor negro que estrearam recentemente é “Barry”, da HBO.

Barry, interpretado por Bill Hader, é um matador de aluguel sem muita ambição – afinal, ninguém fica fazendo planos a longo prazo quando não se sabe se sairá vivo do próximo trabalho. E é um trabalho ridículo que muda a vida de Barry. Ele recebe de seus chefes chechenos a missão de matar um jovem aspirante a ator e personal trainer chamado Rick, que está tendo um caso com a esposa de um dos chechenos.

Barry vai até Los Angeles e, ao perseguir seu alvo, acaba entrando em um teatro onde está acontecendo uma aula de atuação com o lendário Gene Cousineau (Henry Winkler), que convida Barry a ficar e assistir à aula. Está criado o problema: Barry gosta da ideia de atuar. Ele tem, pela primeira vez, uma perspectiva na vida. Além do mais, ele se apaixona pela dedicada e azarada colega Sally (Sarah Goldberg), e isso confunde ainda mais seus sentimentos.

Barry e Gene Cousineau

Barry agora está dividido entre cumprir a missão ou mudar completamente de vida, largando tudo e se tornando um ator. Isso, obviamente, será muito difícil, pois os chechenos vão até Los Angeles atrás dele com novas missões a serem cumpridas, e quem também o segue é o amigo Fuches (Stephen Root), seu “empresário do crime”. E, obviamente, a polícia acaba entrando no meio da história, na figura da incansável investigadora Janice Moss (Paula Newsome).

Barry e Fuches

“Barry” não é uma comédia clara e alegre como “The Good Place”. É uma série de humor negro, e por isso mesmo os cenários são escuros e áridos. Não é mostrada a Los Angeles ensolarada, mas sim a montanha coberta de mato, as ruas à noite, a delegacia gélida, o bar pouco iluminado, o teatro escuro onde os aspirantes ensaiam.

“Barry” começou a ser criada em 2014, quando a HBO se interessou pelos talentos de Hader, recém-saído de “Saturday Night Live”. Foi também em 2014 que Hader mostrou todo seu potencial como o protagonista do filme “Irmãos Desastre”, um drama com pitadas de comédia. A escalação dos outros atores, entretanto, só começou em 2016.

O comediante exerce múltiplas funções em “Barry”: além de ser um dos criadores da série, ele dirigiu os três primeiros episódios, foi produtor executivo de outros cinco e roteirista de mais dois episódios. E é patente a influência de Hader: cinéfilo inveterado, ele levou para a comédia o tema comum em filmes de drama e de suspense: o do homem assombrado por seu passado. Além disso, em um dos episódios há uma divertida referência a Akira Kurosawa e sua obra.

Em uma plataforma de streaming, “Barry” seria facilmente consumida em poucas horas. É uma série digna de maratona, que nos deixa sempre com vontade de saber o que acontece a seguir, não importa se o final do episódio foi emocionante, divertido ou chocante. Felizmente, não ficaremos sedentos por mais por muito tempo: “Barry” já foi renovada para uma segunda temporada, provavelmente maior que a primeira, que teve apenas oito episódios. Mal posso esperar para descobrir o que vai acontecer com este meu malvado favorito!

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Publicado por Letícia Magalhães

Letícia Magalhães é estudante universitária e tem três livros publicados. Desde cedo mostrou interesse pela escrita. Atualmente mantém o blog Crítica Retrô, sobre cinema clássico, e escreve para os sites Filmes e Games e co-edita a publicação multilíngue Cine Suffragette..