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A boa construção de mundo de “Altered Carbon” tem seus deslizes na trama

A nova aposta de na ficção científica feita pela Netflix é “Altered Carbon”, uma série de 10 episódios, baseada no livro homônimo de Richard K.Morgan. Os direitos do livro foram comprados há 15 anos e devido à complexidade da história e de seus elementos, só conseguiram executar o projeto agora em série, pois originalmente foi pensando como um filme.

Em um mundo futurista cyber-punk de 350 anos no futuro, as pessoas conseguem manter vivas devido a um aparelho instalado na base do pescoço, uma pilha que permite que seus dados sejam salvos e recolocados em uma nova “capa” (um corpo totalmente diferente). A pessoa somente terá sua “morte real” se o aparelho for danificado ou distruído. Nesse mundo, os ricos vivem por cima dos céus e conseguem pagar para terem seus corpos clonados em série, o que os permite viverem sempre com a mesma capa.

Nesse contexto, Takeshi Kovacs (Joel Kinnaman) é despertado e um coma em um novo corpo após muitos anos, por ser um membro de uma antiga elite militar, conhecida pela inteligência e instintos dedutíveis. Sua missão é solucionar um crime para um alto membro da elite local Laurens Bancroft (James Purefoy). Takeshi tem o apoio involuntário de uma policial Kristin Ortega (Martha Higereda). Cada personagem tem objetivos obscuros que irão se revelando durante os episódios.

Impressiona a qualidade técnica da série, com uma bela fotografia e os designs de produção muito bem elaborados. A influência de Blade Runner nessas áreas (só faltava mais cenas na chuva e uma trilha sonora parecida) é indiscutível.

Quanto às atuações, os protagonistas acabam deixando a desejar quando exigida mais emoção em cena, o que resulta numa perda da força dramática da produção. Deve-se apenas salientar que não se vê um protagonista apanhar tanto em um produto de mídia desde John McClane em “Duro de Matar”. Outro problema da série, está em seu texto. Devido a tantas informações sobre a corrupção desse mundo e junto às diversas pequenas tramas que são pedaços do quebra-cabeça para desvendar o mistério, acaba sendo um pouco confuso para o espectador acompanhar as diversas coisas que acontecem em tela.

Um ponto interessante é a discussão sobre a mortalidade da humanidade, principalmente na presença dos “neocatólicos” que são os humanos que acreditam na sua alma e não quiseram implementar seu “stack” no pescoço, e por isso só tem uma vida. Mas essa discussão acaba sendo deixada de lado em muitos momentos.

Embora exista um gancho para a próxima temporada, é difícil dizer para onde “Altered Carbon” pode ir devido ao seu final, mas se puder explorar outros temas e inserir outros elementos desse mundo, pode vir a ser um produto interessante.

Série: Altered Carbon
Criação: Laeta Kalogridis
Elenco: Joel Kinnaman, Martha Higareda, James Purefoy
Gênero: Ficção Científica
País: EUA
Data de lançamento: 2 de fevereiro de 2018
Emissora: Netflix
Duração: 55 min

alexandre Giuberti David

Publicado por alexandre Giuberti David

Professor de História, cinéfilo e torcedor do America-RJ

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