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Hilda, série animada da Netflix, encanta igualmente a crianças e adultos

A animação traz mágica a cada episódio ricamente ilustrado, além de lições preciosas

Não podemos negar que há muito conteúdo de qualidade em streaming atualmente. É tanto conteúdo, e tanta novidade chegando todos os dias, que podemos deixar de lado aquilo que parece que não vai nos agradar, talvez porque não seja de nosso gênero favorito ou não tenha nossas estrelas preferidas no elenco. Assim, a animação Hilda pode facilmente passar despercebida no catálogo da Netflix, mas não deveria.
Hilda é baseada na série de graphic novels de mesmo nome do autor Luke Pearson. Quando conhecemos Hilda, vemos que ela mora em uma casa isolada na floresta com a mãe, a designer gráfica Joana. Mais tarde, na série e nos livros, Hilda e a mãe mudam-se para a cidade de Trolburgo. A semelhança entre Trolburgo e a floresta é que ambas estão cheias de criaturas interessantes com as quais Hilda faz amizade.
Para começar, há a mascote de Hilda, Twig, que é uma mistura de cão com raposa. Na floresta vive o espaçoso, despreocupado e por vezes desagradável Homem de Madeira. Por todos os lados vivem os elfos, pequenas criaturas que só podem ser vistas por humanos se for assinado um contrato – e Hilda faz amizade com um deles, Alfur, um elfo metódico e apaixonado por burocracia e contratos. Isso sem falar nos gigantes que cuidam de coisas como o tempo e a própria forma da terra. Ah, e os fofos Woffs que servem de meio de transporte pelo ar.
Hilda, série animada da Netflix, encanta igualmente a crianças e adultos | Críticas | Revista Ambrosia
Na cidade de Trolburgo Hilda faz amizade com outras duas crianças: Frida, organizada e competitiva, e David, companheiro e medroso. Ela também se junta ao grupo dos Escoteiros Pardais, e as aventuras com criaturas curiosas, por vezes perigosas, mas sempre instigantes, continuam. O que dizer do corvo mágico e simpático? E dos ratinhos? E os Nisses, então, que explicam tanta coisa? Aliás, se você deixou de acreditar em fantasmas, é bom voltar a acreditar – eles são bem reais, e podem inclusive arrumar seu quarto como forma de agradecimento.
O estilo escolhido para a animação é maravilhoso. O esquema de cores, em especial quando pensamos em tudo que gira ao redor de Hilda, nos lembra de “Ernest e Celéstine”, um amável longa-metragem de animação francês de 2012. O céu, sempre em degradê de cores, é de beleza ímpar e meu detalhe preferido no design da série. Como o início da produção de Hilda foi anunciado em 2016, podemos ver que cada episódio demorou a ser feito, tendo sido colocada muita atenção a cada detalhe.
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Hilda: outras mídias e temáticas

Luke Pearson é um quadrinista britânico. Cinco livros de aventuras de Hilda foram publicados desde 2010, e traduzidos para diversas línguas. Por enquanto, apenas duas graphic novels de Hilda foram publicadas no Brasil, ambas pela Companhia das Letras. O traço do desenho não é o mesmo da graphic novel: na animação o traço é mais delicado, deixando tudo com uma sensação de fofura e aconchego.
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Algum tempo depois de ser lançada Hilda pela Netflix, surgiu um jogo para smartphone da série. Em Hilda Creatures o objetivo do jogador é deixar presentes, plantinhas e sanduíches em diversos locais como a floresta e o porto de Trolburgo para atrair criaturas e fazer amizade com elas. Quanto mais se interage com uma criatura, maior o nível de amizade – uma pena que as interações não sejam mais variadas. Mesmo assim, o jogo diverte e distrai.
Hilda, série animada da Netflix, encanta igualmente a crianças e adultos | Críticas | Revista Ambrosia
As aventuras fantásticas de Hilda nos lembram de outra animação de sucesso, Gravity Falls – Um Verão de Mistérios. Mas Hilda sai ganhando na comparação. Hilda trata de temas universais, que devem ser ensinados para crianças e que não faz mal serem reforçados para os adultos. Esses temas incluem medo, amizade, pertencimento, merecimento, entre outros. Há a quebra do preconceito e do “efeito smurfette”: Hilda não é a única menina em um grupo de meninos, e o menino do trio, David, não apresenta características ultra-masculinas de força e liderança – e seus jovens pais o apoiam e o amam incondicionalmente mesmo ele sendo medroso. Aliás, a mãe de Hilda cria a menina sozinha, e nunca há uma menção sequer ao pai dela ou à suposta falta que ele faz – assunto que seria certamente explorado em outra série, mas é simplesmente irrelevante aqui.
Hilda é perfeita para dias frios, tardes chuvosas, momentos tristes da vida. É uma série que traz mágica para quem a vê, e é impossível não sorrir com a corajosa e bondosa garotinha do cabelo azul. Na ComicCon, uma segunda temporada de Hilda já foi anunciada pela Netflix. Preparem seus corações.

Avaliação 5/5

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Publicação Letícia Magalhães