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Kiss Me First, a aposta de um cyber-thriller juvenil da Netflix

A Netflix ao apresentar Kiss Me First tinha em mãos uma ficção científica, baseada no romance  homônimo de Lottie Moggach, uma narrativa juvenil, ousada, com nuances transgressivos, intrigas e realidade virtual como pano de fundo.

As apostas do streaming em ficção científica são geralmente arriscadas, como foi com Altered Carbon e Mute, mas conseguiram compor o interesse do público, e foi assim que otimista fui assistir a 1ª temporada desta série na plataforma.

Pelo trailer vemos que a série tem um forte apelo juvenil, pelas referências dos jogos online, lembrando muito de um filme recente de Steven Spielberg, Jogador Nº 1 (Ready Player One). Mas longe de uma aventura sci-fi, a série nos envolve em problemas de um grupo de jovens que encontram sua válvula de escape em um mundo virtual hiper-realista.

Pôster da série da Netflix

Esse mundo poderia ter sido também a veia de escape para quem assiste, mas depois de assistir os 6 episódios que moldam a primeira temporada, descobrimos que muitas promessas caíram em ouvidos surdos.

Kiss Me First, como sua protagonista adolescente, é confusa e imatura, ao reunir suspense cibernético, mistério, maioridade e romance tinha toda a matérias-prima para ser uma série promissora, entretanto não se desenvolve tão bem tantos gêneros diferentes.

Um mundo virtual pouco explorado

O enredo de Kiss Me First gira em torno de Azana Planet, o mundo virtual compatível com sistemas de realidade virtual de imersão absoluta nos quais você pode fazer tudo, teoricamente. Ou seja um MMO bem brutal.

Para quem joga, estava afoito em ver este mundo em profundidade e ver seus detalhes. Veio até a ideia de encontrar algo parecido com Sword Art Online, um mundo imersivo com muitas possibilidades e onde grande parte da trama poderia se desenrolar… Mas não.

Embora durante o primeiro episódio levante uma esperança, rapidamente fica claro que o mundo do Planeta Azana seria pouco mais do que um acessório para a série. Todo o potencial que poderia acontecer naquele mundo virtual se resume a algumas cenas mais simples, mas gostei da edição que trabalha o movimento entre a realidade virtual e o mundo real de maneira bastante consistente.

As atrizes Tallullah Haddon e Simona Brown

O elenco da série, liderado pelas atrizes Tallullah Haddon (Taboo) e Simona Brown ((Des)encontro Perfeito), interpretam jovens com sérios problemas de relacionamento, as duas estão bem em seu papel. Porém, sinto que foram marginalizadas por demais, uma particularidade que serve para explicar a falta de empatia que o elenco passa.

Os criadores da série não aproveitaram o talento de seus atores. O protagonismo não ocorre como deveria ser, já que os nuances do livro de Moggach não foram muito bem abordados.

Quem se sobressai é Matthew Aubrey (Black Mirror) que interpreta Jonty, o inquilino de Leila (Haddon), que tenta a carreira de ator, mesmo sendo bem medíocre. E o vilão de Matthew Beard (O Jogo da Imitação), um hacker que o será responsável por distorcer o enredo de First Kiss me a níveis insuspeitados.

Os roteiristas desenvolvem suas intenções sombrias tão lentamente, como todo o restante da série, que quando a temporada termina, estamos no meio do caminho e sem saber como os ardis se desenrolarão.

Há boas referências a Matrix, como a área secreta do jogo, conhecida como ‘Red Pill’. Em resumo, First kiss me é uma série que pode ser conferida, mas falta aquele gancho para lhe prender.

O final foi sólido o suficiente, mas parecia mais o final de um capítulo do que o final da história. Muitas promessas que foram deixadas vazias e em vãs esperanças. Vale conferir, em especial, por ser uma produção em VR, sem personagens estereotipados unidimensionais, intermináveis ​​cenas repetidas de perseguição, explosões gratuitas e assim por diante de outras produções que usam VR.

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