É impossível deixar de dizer ao fim da série Game of Thrones que ela foi um dos grandes marcos da TV mundial dos últimos anos. Em um mundo hoje marcado pelo streaming e que cada um assiste seus filmes e series no horário mais confortável.

GOT foi umas das raras coisas que fez seu público parar e sintonizar no mesmo canal aos fins de domingos, e fazendo amigos se reunindo toda a semana para assistir seus capítulos juntos e depois inundar as redes sociais com comentários e criação de memes instantâneos.
A série deixa diversos legados como o de o espectador realmente ficar preocupado com seu personagem favorito, pois ele poderia ser morto da maneira mais abrupta e surpreendente possível. Criou episódios que ficaram vivo nas mentes dos espectadores, como o Casamento Vermelho ou a Batalha dos Bastardos. E finalmente vários personagens e atores que serão sempre lembrados por esses papeis, mesmo que futuramente não façam mais nada de especial.

Com a série finalizada, alguns aspectos precisam ser melhores analisados e talvez muitos problemas que ocorreram possam ser vistos melhor clareza no futuro, quando tivermos um certo distanciamento. Só que algumas coisas precisam ser discutidas no momento. E um desses é a questão quando a série deixa de ter os livros das Crônicas de Gelo e Fogo como base de inspiração e passa a ser escrita pelos produtores David Benioff e D.B.Weiss.
Ao fim do último episódio, é notável que esse era o fim escrito pelo autor da série George R.R.Martin, mas que o caminho que os levaram até lá nas últimas duas temporadas está totalmente fora de sincronia. Isso fica claro com a falta de tensão em certas cenas que deveriam impactar o espectador, e que não dizem nada como a luta de Jaime Lannister e Euron Greyjoy que foi totalmente sem emoção.

Outro problema foi uma decisão da produção que mudou o ritmo da série. Até a sexta temporada, nos acostumamos com o ritmo das estradas de Westeros e como isso levava aos diálogos precisos e importantes para os personagens durante a travessia. Na sétima temporada, começou a haver a viagens cada vez mais rápidas entre as locações que muitas vezes deixava o espectador sem saber do tempo que se levava a acontecer as coisas, além de quebrar com o ritmo que a série sempre manteve e se notabilizou.
Mas talvez a principal crítica da série esteja mesmo nas personalidades de alguns protagonistas que começaram a fazer coisas que não condiziam com sua índole e que não foi justificada corretamente da série. Vamos a eles!
Cersei Lannister chorando vendo Kingsland sendo devastada pelo fogo não denota a personagem que passou por tudo o que passou para uma cena dessa, aonde no máximo poderia ocorrer quando visse seu amado Jaime em seus últimos momentos.
Ayra Stark teve provavelmente a grande cena da última temporada com seu ataque surpresa ao Rei da Noite (que tem todo o jeito de ser uma cena criada por Martin), mas que quando está com o Cão indo matar Cersei que estava na sua lista, é facilmente demovida pelo seu companheiro a sair do castelo (tendo uma cena lamentável com ela se justificando a Jon Snow que não matou a rainha devido a Jaime). Até Tyrion Lannister se convencer da honestidade da irmã dizendo que ela iria se unir aos exércitos de Winterfell na batalha contra os mortos.

E finalmente a loucura de Daenerys Targaryen, que apesar de existir um certo procedente devido as mortes do seu dragão e da sua conselheira, é injustificável que aquela que era a Qubra-Correntes, que veio para libertar os povos dos seus tiranos, tenha simplesmente tendo atacado a cidade e matado boa parcela da sua população, mesmo com eles já terem se rendido. Sendo que o mais grave nesse caso foi a falta de tempo de tela para percebemos essa mudança, ela passou a ser respeitada a ser temida por todos ao seu redor de um momento ao outro, principalmente pelos seus mais próximos e antigos aliados.

Em uma série caracterizada por matar indiscriminadamente seus protagonistas, nessa última temporada acabou sendo uma de suas falhas, no qual a maioria das mortes foram de alguns coadjuvantes, com a exceção Cersei, Jaime e Daenerys, sendo que suas mortes podem ser vistas como anticlimáticas, mas que funcionariam melhor caso a temporada toda estivesse sendo bem conduzida. Foram apenas 6 episódios, sendo um para relembrar aonde os personagens se encontram, o segundo de despedidas que nunca se realizariam, pois essas mortes não aconteceram, dois capítulos de batalhas que ficaram muito aquém de qualquer expectativa.

O fim dos principais personagens que permaneceram vivos ficaram de bom tamanho (mais uma vez, como provavelmente era a ideia do criador da série, então é compatível com seus arcos).
O final inclusive dá brechas para alguns spin-offs que possam ser produzidos no futuro, aonde o mais promissor seria o o futuro de Arya, que tomou um navio e foi navegar pelas terras não conhecidas de Westeros. A outra possibilidade, já com menos possibilidade é o que aconteceu com Drogon e como isso pode fazer que venham a existir novos dragões nos agora 6 Reinos.

Game of Thrones deveria terminar sua história e poderia ter sido coroada como uma das mais brilhantes e poderosas séries de todos os tempos. Infelizmente, as últimas duas temporadas fizeram ela perder o prumo e ser merecidamente criticada por isso. Como todo Rei soberbo, ele cai diante de si mesma.

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