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Perdidos no Espaço renova as ideias e entrega um bom produto

A Netflix além de trazer conteúdos originais, tem feito revivals de alguns séries antigas. Desta vez, ela traz a atualização do clássico da TV dos anos 60 “Perdidos no Espaço” (Lost in Space), criada por um dos gênios da indústria da época Irwin Allen (de Terra de Gigantes, Viagem ao Fundo do Mar). A série já havia sido adaptada para o cinema em 1998, naquele filme com William Hurt, Matt Le Blanc e Gary Oldman. Um longa bem fraco e esquecível.

Nessa nova série, temos uma atualização do seu conceito, que deixa um pouco de lado o clima de aventura divertida para trazer um senso de urgência, no qual os conceitos de ficção científica são bem explorados. E também mais melancólico na dinâmica familiar e visão do futuro. Aqui, a Família Robinson lida com o problema de relacionamento entre os pais e com o sofrimento do pai pela ausência dos filhos.

A família está a bordo da Júpiter 12, que junto com outros colonos está deixando a Terra e indo até Alfa Centauro, mas a nave-mãe que os levava é atacada pelo robô que acaba se aliando ao filho mais novo, Will Robinson (Maxwell Jenkins). E, o ponto que poderia haver mais polêmica, a troca de gênero do Dr.Smith, acaba se resolvendo na primeira cena, que consegue justificar a troca e faz o fã mais hardcore se acalmar nas trocas de características da personagem.

Aliás, o grande destaque é a atuação Parker Posey como a nova Dra.Smith, que tem a personagem mais interessante cuja repaginação na série é bem construída além de sua interpretação se destacar em relação aos demais. O espectador sente no olhar dela seu desespero e como ela maquina seus planos, que a torna interessantíssima.

Outra mudança que ocorre de personagens é de Don West (Ignazio Serriicchio), que na série, original era um Major, piloto da nave, se torna um engenheiro cabeça dura, mas continua como o interesse romântico de Judy (Taylor Russell), desta vez filha do primeiro casamento de Maureen (Molly Parker), daí a mudança de etnia.

O sentindo de urgência na série a torna bem dinâmica e satisfatória. Os desafios postos à prova da Família Robinson são interessantes e cada membro tem seu espaço de ser tanto o herói do dia, como o que causou a confusão que desencadeia o conflito. Existe problemas de consistência no roteiro e até na continuidade (os pais saem de uma situação de perigo vestindo apenas de roupas de baixo no meio do nada e na cena seguinte, já estão com trajes e equipamentos). A série tem mais méritos que defeitos e vale a pena ser conferida por quem gosta do gênero.

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alexandre Giuberti David

Publicado por alexandre Giuberti David

Professor de História, cinéfilo e torcedor do America-RJ