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Pop brasileiro domina o penúltimo dia de Oktoberfest Rio

No último sábado (25/10) o pop nacional deu o tom do palco Brasil na Oktoberfest Rio. E o foco eram os anos 80, o período em que se produziu o melhor da nossa música radiofônica. Era uma turma que dialogava diretamente com o rock, mas numa vertente mais suave e com doses de humor. Dessa leva veio o Léo Jaime e a Blitz, as atrações da noite que teve abertura de Leoni.

Um animado bailão anos 80

Leo Jaime abriu com um cover de ‘Misirlou’, do Dick Dale, mais conhecida como “a música do Pulp Fiction”. Em seguida, a escrachada ‘Eu Vou Comer a Madonna’, que segundo ele não cantava desde quando lançou. Ele fora repreendido por Renato Russo que disse que se conhecesse a Material Girl gostaria de passear, trocar ideias e não só sexo. Sem jeito, Leo não tocou mais a música. Outra novidade do repertório foi ‘Rock da Cachorra’, que ficou eternizada por Eduardo Dusek e pouca gente sabe que Leo é o autor. a justificativa por não gravar ou tocar ao vivo segundo ele é que Dussek se apropriou muito bem da canção, assim como ele fez com ‘Gatinha Manhosa’ do Erasmo Carlos

O atual show de Leo Jaime se apresenta em uma configuração mais dançante, muito por influência da vitória na dança dos famosos do Faustão. Tanto que em várias músicas ele executa passos de dança com Larissa Trevisol, sua professora no programa. “Ganhamos a dança dos famosos, só isso”, brincou. Ele confessou que sempre gostou de cantar e dançar, mas por vergonha do corpo e da idade deixou isso de lado. O dança quebrou esse impedimento que ele mesmo havia criado.
Além dos seus sucessos, houve espaço para cover como ‘Boys Don’t Cry’ do Cure, ‘Should I Stay or Should I Go’. ‘Miss You’ dos Rolling Stones – essa de de uma banda que tá começando agora, brincou. Já os hits obrigatórios, embora composições despretensiosas, ainda tem força junto ao público. ‘Ela Não Gosta de Mim’ teve coro da plateia, ‘O Pobre’ e ‘Rock Estrela’ (com snipet de ‘Come as You Are’ do Nirvana) também empolgaram.

Em nada mudou houve uma falha e ele pediu para começar de novo. Perguntou se alguém podia ajudar com a letra. A música te uma inserção de ‘Back on the Chain Gang’ dos Pretenders. ‘Sete Vampiras’ e ‘Fórmula do Amor’, essa dedicada ao parceiro na composição, Leoni, que se apresentara logo antes, mantiveram o clima de bailão anos 80. A proibidona na época ‘Sônia’ e o bis com ‘Eu Preciso Dizer Que Te Amo’ de Cazuza encerraram a apresentação que foi sem dúvida uma das mais animadas do palco Brasil na Oktoberfest.

Hits e irreverência

A Blitz é a banda que iniciou toda a brincadeira do rock nacional. Ok, já existia a Gang 90 mas foi com Evandro Mesquita e companhia que a coisa virou movimento e abriu os olhos das gravadoras para a nova onda. Como de praxe, o show da Blitz seguiu o protocolo de jogar para a torcida, fazendo uma metáfora futebolística bem adequada já que Evandro Mesquita é fã de futebol e torcedor do fluminense. A primeira música, ‘Vai, Vai, Love’, foi também a que abriu o primeiro show da banda em 1982 no Circo Voador, na época ainda no arpoador. A música não é muito conhecida do público, mas logo em seguida veio ‘Weekend’ e ‘Bete Frígida’, que ai sim empolgaram o público.

Entre os clássicos dos quais a Blitz não pode ousar se desvencilhar, como ‘A Dois Passos do Paraíso’, ‘Mais Uma de Amor (Geme Geme)’, onipresentes na primeira metade dos anos 80, houve espaço para algumas pérolas menos valorizadas pelas FMs (‘A Verdadeira História de Adão e Eva’, ‘Volta ao Mundo’) e covers. O primeiro foi ‘Aluga-se’, de Raul Seixas, de que os Titãs se apropriaram há 20 anos, e mais a seguir vieram também versões de músicas de colegas de geração 80, ‘Óculos’, dos Paralamas do Sucesso, ‘Sonífera Ilha’, dos Titãs e ‘Bete Balanço’ do Barão Vermelho, que tocara na Oktoberfest uma semana antes. Composições da carreira solo de Evandro pós-Blitz como ‘Greg e Sua Gangue’ e ‘Babilônia Maravilhosa’ – tema do personagem do próprio Evandro na novela Top Model – foram incorporadas já há um tempo ao repertório da banda. Já no repertório mais recente, o álbum “Skut” teve mais destaque. Dele estavam ‘Eu, Minha Gata e Meu Cachorro’ e a faixa título. Já do “Aventuras II”,último trabalho de estúdio, apareceu a parceria com Frejat ‘Baile Quente’.

Com um setlist bem distribuído, o show trouxe na reta final o cover de Perdidos na Selva, da Gang 90, influência mais direta da Blitz, Ego Trip, com direito a bateria, Biquíni Amarelinho, Você Não Soube Me Amar e o encerramento se deu com um bis de ‘Geme Geme’. A Blitz segue firme desde 2006, quando houve a segunda volta. A primeira se deu em 1994, quando houve um revival da banda e volta ao sucesso nas rádios, puxada pela nova versão de ‘Geme Geme’. Da formação original, além de Evandro estão o guitarrista Billy Forghieri e o baterista Juba. Os backing vocals, o coração da Blitz, que já foram assumidos por Fernanda Abreu e Márcia Bulcão, pertencem desde 2008 a Andréa Coutinho e Nicole Cyrne. Passados 37 anos de sua estreia, a Blitz mantém o clima de irreverência, apesar de já não apresentar novidades. O show se debruça mesmo em cima dos (irresistíveis) hits. É interessante, no entanto, observar que em 2019, Evandro & Cia completam onze anos de atividades ininterruptas, o maior período que o grupo passou produzindo.

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Publicado por Cesar Monteiro

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