A Gente Submersa dá sequência a projeto de resistência Teatro do Incêndio | Agenda | Revista Ambrosia
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A Gente Submersa dá sequência a projeto de resistência Teatro do Incêndio

Nos dias 23 e 24 de novembro (sábado, às 20h, e domingo, às 19h), o espetáculo A Gente Submersa (de 2017) dá continuidade ao projeto Levante Teatro do Incêndio – Pra Vida e Revida. O texto e a direção são assinados por Marcelo Marcus Fonseca.

No enredo, três personagens alegóricas da sabedoria popular vivem uma fábula que se concretiza na cidade. São pessoas centenárias, velhos de espírito juvenil que atravessaram os tempos. Eles seguem pelo mundo, mas as coisas que vivem e os lugares por onde passam vão se apagando. Na cidade se tornam invisíveis; ocupam um espaço, mas são expulsos pela polícia.

Conduzidos por um velho vendedor de relógios, chegam a um quilombo povoado por pessoas que fugiram da metrópole, onde são vistos e aceitos. O velho representa o tempo, a sabedoria e os ensinamentos dos mais velhos e dos antepassados. Sem dinheiro, as pessoas do quilombo trocam conhecimentos, como ensinar os outros a ler e escrever desenhando letras com tintas nas mãos. Lourdes, Benedito e Fulozina ensinam cultura popular para a comunidade que passa a viver em um calendário de festas (congada, maculelê, jongo). Porém o desmatamento chega e acaba com tudo, mostrando o ciclo sem fim da destruição.

A Gente Submersa é a primeira parte de um trabalho de pesquisa, homônimo à peça, sobre heranças e descaracterização da cultura e da sabedoria popular, pelo esquecimento das raízes que moldaram o ser brasileiro. O espetáculo explora o que resta no cotidiano das pessoas dos ensinamentos populares, bem como da função social da dança e das festas tradicionais.

A Gente Submersa reúne mais de 20 artistas, entre atores e músicos que transitam pelo teatro, pela dança e por outras linguagens, amparados por composições originais e canções de domínio público. O figurino traz elementos de técnicas artesanais como renda filé, bordados, crochê e tricô, construindo memórias também nos corpos que ocupam o Teatro do Incêndio: um espaço em formato de arena triangular, mantendo as características arquitetônicas originais do local que tem sua própria história.

Ficha técnica

Texto e direção geral: Marcelo Marcus Fonseca. Figurinos: Gabriela Morato. Iluminação: Kleber Montanheiro. Cenografia: Gabriela Morato e Marcelo Marcus Fonseca. Coreografia e preparação corporal: Gabriela Morato. Criação e coordenação de adereços: Gabriela Morato. Assistência de figurinos e produção: Bianca Brandino. Confecção/adereços: Victor Castro e André Souza. Músicos: Bisdré Santos, Luiz Viola, Renatinho do Violino, Renato Silvestre, Xantilee de Jesus e Yago Medeiros. Música “Movimento dos Sem Chuva”: Cristóvão Gonçalves. Design gráfico: Gustavo Oliveira. Fotos: Giulia Martins. Produção e realização: Teatro do Incêndio.
Elenco: Gabriela Morato, Elena Vago, Anderson Negreiro, Lia Benacon, Valcrez Siqueira, Renato Silvestre, Victor Castro, Mauricio Caetano, Paula Almeida, Jade Buck, Gui Mameluco, Heloisa Feliciano, Kaena Chioratto, Gabriel Magalhães e Amanda Santana.

Serviço

Espetáculo: A Gente Submersa
Projeto: Levante Teatro do Incêndio – Pra Vida e Revida
Datas: 23 e 24 de novembro. Sábado (às 20h) e domingo (às 19h)
Duração: 120 min. Classificação: 14 anos. Gênero: Comédia dramática musical.
Ingressos. R$ 80,00. Bilheteria: 2 horas antes das sessões. Capacidade: 99 lugares.
Teatro do Incêndio
Rua Treze de Maio, 48 – Bela Vista. São Paulo/SP.
Tel.: (11) 2609-3730 / 2609-8561

Levante Teatro do Incêndio – Pra Vida e Revida –

Diante do atual momento de ‘estrangulamento’ cultural, a Cia. Teatro do Incêndio, sem nenhum apoio ou incentivo cultural, lançou, em julho, uma programação de resistência que segue até dezembro, reunindo cinco espetáculos de repertório (um a cada mês), entre de outras atividades. A última montagem a ser encenadas, em dezembro, é Rebelião – O Coro de Todos os Santos (2018). São Paulo Surrealista abriu a programação em agosto, com direito a sessão extra, seguida por O Pornosamba e a Bossa Nova Metafísica, O Santo Dialético e A Gente Submersa. Esta mostra sintetiza o trabalho de pesquisa de linguagem dos últimos sete anos do coletivo, período em que construiu três teatros até conquistar sua sede definitiva na emblemática entrada do bairro Bixiga, esquina das ruas Treze de Maio e Santo Antônio, onde já funcionou a lendária boate Igrejinha e o Café Soçaite.

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