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O fim de “Looking”, para além de sua grande pertinência

Retratar o universo (pessoal) gay sem cair nas facilidades do pejorativo é uma virtude num contexto teledramatúrgico. O fato de ser uma série HBO já facilita muito, mas Looking foi, em suas duas temporadas, um interessante retrato de um microcosmo que aferido dignamente, se revela tão universal quanto os dilemas que seus personagens enfrentam quando conjugam o verbo ser com o amar (ou não).

Criada por Michael Lannan com base em seu curta-metragem, Lorimer, a série narra a vida de três amigos homossexuais morando em São Francisco. Se no primeiro ano havia certa hesitação (não justificada, vale dizer) no desenvolvimento das personalidades de seus personagens, agora na segunda temporada – mais sólidos – o trio de amigos (vividos com propriedade, pelos atores Jonathan Groff , Frankie J. Alvarez e Murray Bartlett) são retratados dentro de seus nichos pessoais, onde o desenvolvimento de suas relações com meio demonstraram a amplitude que o (bom) roteiro buscou.

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Seja pelo dilema da expectativa amorosa e o quão isso pode ser nocivo à uma relação (traçado do nosso protagonista), seja pela a dor a delícia de ser o que quer ser (o ótimo J. Alvarez, com o melhor papel da série), seja pela questão da identidade e do seu lugar no mundo na maturidade. Três esteios dramáticos que sustentaram com leveza e inteligência (o conflito do casal protagonista no último episódio é absolutamente crível).

Uma pena que a baixa audiência tenha afetado sua continuidade. E a série tinha a muito o que desenvolver. A emissora vai fechar a história com um telefilme (possivelmente para 2016) que promete arregimentar todas as tramas da história e, quem sabe, o triângulo amoroso (um tanto complexo) da qual Patrick (Groff) tanto nos envolveu. Looking sai de cena instigando mais do que apenas figurando um tipo de minoria. Como sempre deveria ser.

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