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“The Politician” e sua interessante irregularidade

 

Ryan Murphy fez seu nome em cima de trabalhos (sobretudo, séries de TV) que gostam de analisar sarcasticamente o American Way of Life, sempre validando através de uma atenção certeira à cultura pop vigente.

Abrindo as portas para seu comentado contrato milionário com a Netflix, após anos prestando serviço e visibilidade no grupo Fox, ele entregou The Politician, que nada mais é que um Ryan Murphy típico, escalafobético e político (para o bem e para o mal), mas ainda capaz de criar alegorias relevantes dentro de sua zona de conforto.

Peyton Hobart (Ben Platt, a definição de ator completo, inclusive tendo lançado um ótimo álbum no primeiro semestre) quer ser presidente dos EUA. E o objetivo já começa em seu colegial, quando engrena numa disputa pelo grêmio escolar, em meio a intrigas dignas da escalada de poder da Casa Branca.

Gravitam esse “projeto de poder” pessoal, sua família adotiva bilionária – Gwyneth Paltrow enfim num papel com alguma vivacidade, dá vida a sua mãe, e Jessica Lange se diverte como a avó picareta de uma possível candidata com apelo a vice presidência de Peyton.

Quem acompanha o trabalho de Murphy para além de Glee, já está acostumado com a efervescência temática nas histórias que ele cria, e aqui essa excentricidade é ainda mais delineada, o que pode resultar numa certa confusão dramatúrgica. Daí é até compreensivo que se perca e consequentemente, desaprove sua estruturação. Na verdade essa é a linguagem dele e suas histórias nasceram millennials antes do termo. Trafegam sim, no perigo de virar caricatura como tantos dele virou. The Politician joga a isso a seu favor.

O primeiro episódio, dirigido pelo próprio Ryan, é ótimo. O quinto, que é inteiro pela perspectiva do eleitor, mostra fôlego inesperado e a habilidade entre o discurso e o apelo teen. E o último, uma sacada corajosa, com a história se reinventando como fosse já o começo de uma segunda temporada, prometendo ser ainda melhor.

Aliado a um verniz técnico competente, com fotografia trabalhada na força das paletas de cores e o talento do elenco em geral, com sensíveis números musicais (Platt cantando “Vienna” de Billy Idol é um absurdo de bom), tornam The Politician uma iguaria interessante de se acompanhar. E interessante aqui é um eufemismo para algo muito bom, mas delicado de se analisar de maneira completa. É o risco Ryan Murphy. A dimensão Netflix desse casamento ainda pode render muito. Vamos ver o que isso ainda pode significar…

Cotação: Bom (3,5 de 5)

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Publicado por Renan de Andrade

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