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Última temporada de "Love" encerra bem sua forma de ter propriedade de si

Love nasceu de um projeto interessante de Judd Apatow, em seu primeiro trabalho na Netflix, que fala sobre relacionamentos através do universo geek. Ou de seu contraste. Interessante porque os códigos usados para tal sempre foram inusitados: mesmo sendo o cotidiano de uma casal de personagens comuns, trata-se de um nerd típico e uma outsider, tentando fazer dar certo diante de suas gritantes particularidades.
Nada de novo, mas tudo bem azeitado com a propriedade de quem amadureceu após trabalhos seriados (quase) da mesma estirpe, como Freaks and Geeks e, de certa forma, Girls, na qual ajudou Lena Dunham a dar forma. Entra nessa aritmética também o viés quase autobiográfico do fato de o protagonista Paul Rust, também ser um dos criadores e roteiristas, assim como sua esposa Lesley Arfin, e ambos contribuíram com a construção dramática da trama com suas histórias pessoais mútuas: o encontro do nerd e da descolada. Nessa terceira e última temporada, os criadores tiveram que pensar numa maneira de fechar a trama, mesmo sendo essa uma trama que prescindia exatamente de um fim.
Última temporada de "Love" encerra bem sua forma de ter propriedade de si | Séries | Revista Ambrosia
O recurso encontrado foi a discussão sobre a finitude da relação. E obviamente isso cairia em questões sobre matrimônio e família (é, teve o momento “encontro com a família” e as descobertas que vem disso). Previsível, mas irresistível de escrever e acompanhar. Gus (Rust), com sua personalidade retraída, buscou resolver suas paranoias relacionadas à identidade profissional – conflito meio cíclico em todas as temporadas – e Michey (a bela e carismática Gillian Jacobs), cujo arco dramático (que partia da personalidade autodestrutiva) já pendia para o pós reconhecimento do problema na relação, dependia das cenas em casal para não cair na redundância de seus conflitos.
Ainda bem que o roteiro sempre teve uma esquisitice boa na hora de construir todos os seus personagens – os coadjuvantes são sensacionais e com vida própria no contexto, e a série sempre foi uma delícia de se assistir. Assim, Love acaba na hora certa, deixando para intimidade de seus personagem a continuidade dessa relação. Já havia chegado uma hora que só cabia a eles mesmos suas histórias.
Última temporada de "Love" encerra bem sua forma de ter propriedade de si | Séries | Revista AmbrosiaSérie: Love
Criação: Judd Apatow, Lesley Arfin, Paul Rust
Elenco: Gillian Jacobs, Paul Rust, Claudia O’Doherty
Gênero: Comédia Romântica/Drama
País: EUA
Data de lançamento: 19 de Fevereiro de 2016
Emissora: Netflix
Duração: 50 min

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