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“Esquadrão Suicida” desperdiça ótimo potencial com filme nada marcante

Desde que a DC Comics, junto com a Warner Bros., lançou este ano o controverso Batman Vs Superman: A Origem da Justiça, que, além de dividir crítica e público, não obteve o resultado esperado nas bilheterias, todos os olhos se voltaram para o outro projeto inspirado nos quadrinhos da mesma editora, programado para estrear também em 2016: um filme estrelado não por heróis, mas por criminosos obrigados a se unir para combater um mal maior, em troca de alguns benefícios.

E tudo parecia caminhar para algo que a produção comandada por Zack Snyder não conseguiu, já que, a cada novo trailer divulgado (embalado por ótimas canções pop/rock), a cada nova imagem que saía na internet, a ansiedade dos fãs e não-fãs aumentava cada vez mais, dando a impressão de que, dessa vez, o estúdio havia acertado na mosca. É uma pena, no entanto, que “Esquadrão Suicida” (“Suicide Squad”, EUA/2016) cometa tantos erros ao longo do caminho que, quando chega ao seu final, a sensação é nada menos que frustrante, mostrando que a DC ainda está atrás de sua grande rival, a Marvel. Pelo menos no que se refere a cinema.

A trama se passa logo após aos eventos de “BvS”, em que Amanda Waller (Viola Davis), oficial de Inteligência dos EUA, resolve convencer as autoridades de que é preciso montar uma força-tarefa especial para combater novas ameaças que possam ser tão poderosas quanto o próprio Homem de Aço. Assim, ela decide utilizar os piores criminosos que estão detidos no presídio de segurança máxima Belle Reve, na Louisiana, para cumprir suas missões em troca de reduções da pena. Se algo der errado, não teria problema, já que eles levariam a culpa por serem vilões, além de descartáveis.

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Os escolhidos são o Pistoleiro/Floyd Lawton (Will Smith), Crocodilo/Waylon Jones (Adewale Akinnuoye-Agbaje), Capitão Bumerangue/George Harkness (Jai Courtney), El Diablo/Chato Santana (Jay Hernandez), Amarra/Christopher Weiss (Adam Beach) e Arlequina/Harleen Quinzel (Margot Robbie), a namorada e comparsa do Coringa (Jared Leto). Para cuidar do grupo, Waller conta com o auxílio do agente Rick Flagg (Joel Kinnaman).

Ele está envolvido com a jovem June Moone (Cara Delevingne), que trabalha com ele quando se transforma na misteriosa Magia, além de sua “guarda-costas” Katana (Karen Fukuhara). A equipe é posta a prova quando uma terrível entidade ataca uma cidade e somente eles podem impedir que algo pior aconteça com o mundo. Só que eles vão descobrir que nem tudo é como parece e, logo, vão precisar se entender para cumprir sua missão, nem que morram tentando.

Os primeiros minutos de “Esquadrão Suicida” são extremamente promissores, mostrando cada um dos personagens e suas principais características, apesar do fato de que as sequências têm um jeitão de série de TV. O problema começa quando, ao apresentar o problema que o grupo terá que enfrentar, o filme parece ter sido dividido em duas partes que nunca se comunicam corretamente: uma tem uma cara mais “pé no chão”, com as questões envolvendo o presídio onde estão confinados os anti-heróis e com mais cara de filmes de ação. A outra, mais sobrenatural, parece ter sido tirada de uma trama fantástica, que nunca dá uma sensação de urgência ou apreensão, o que causa um certo distanciamento do público, especialmente na parte final.

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Outros problemas estão na direção de David Ayer, que não consegue fazer nenhuma cena de ação convincente ou memorável. São raros os momentos em que o cineasta obtém algum impacto no filme e nem a edição bastante clipada consegue dar um bom ritmo. Até mesmo a trilha sonora, composta por ótimas músicas, é mal utilizada, pois, num certo momento, as canções vão entrando e saindo do filme de forma muito rápida, que não dá tempo nem de curtir o bastante.

Além disso, o roteiro (também assinado por Ayer) comete o erro básico de dar preferência a alguns personagens em detrimento de outros. Alguns deles, como o Crocodilo, praticamente estão fazendo um pouco mais do que pontas de luxo e aparecem esporadicamente. A coisa fica ainda pior em relação ao Coringa, que tem seu romance com a Arlequina bastante suavizado em relação ao que acontece nos quadrinhos e nas animações.

É claro que ele não é o protagonista aqui, mas não precisava deixá-lo tão periférico em relação aos outros. A história mostra ter pouco fôlego e nem as reviravoltas chegam a impressionar, dando uma sensação ruim numa história que, se fosse bem trabalhada, poderia resultar em algo bem mais interessante do que foi mostrado. Para piorar, nem todos os momentos cômicos funcionam a contento e alguns dos diálogos são de matar.

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O que torna “Esquadrão Suicida” minimamente assistível é parte do seu elenco. Will Smith não tem uma grande atuação como o Pistoleiro, mas consegue cativar o espectador graças ao seu já consagrado carisma, especialmente quando fica à frente do grupo como um líder involuntário. Jai Courtney surpreende positivamente como o Capitão Bumerangue com seu jeito extravagante (que inclui unicórnios cor de rosa!). Joel Kinnaman está apenas OK como Rick Flagg e não compromete o resultado final. Jay Hernandez até se sai bem como o atormentado El Diablo e seu visual (assim como seus poderes de fogo) impressiona.  Porém Adewale Akinnuoye-Agbaje, Adam Beach e Scott Eastwood, que vive o agente GQ não têm muito o que fazer.

Entre as mulheres, a coisa melhora bastante. Viola Davis mais uma vez tem uma ótima interpretação como a durona Amanda Waller (bem melhor que Angela Bassett, no fracassado filme do “Lanterna Verde”, de 2011, quando viveu a mesma personagem) e transmite bem sua personalidade traiçoeira e manipuladora. Porém, quem rouba todas as cenas que aparece é mesmo a belíssima Margot Robbie.

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Ela transmite muita energia e mostra que tem um real senso de humor, mesmo nos momentos mais inusitados de sua Arlequina, além de fazer o público acreditar na sua doentia paixão pelo seu “Pudinzinho”. Ela também divide bons momentos com seus companheiros (especialmente Will Smith) e é a personagem que não sai da memória do espectador quando o filme acaba, dando vontade de ver mais filmes com ela. Por outro lado, Cara Delevingne tem uma performance constrangedora como Magia, especialmente na parte final, que acaba causando risos involuntários. Karen Fukuhara está correta como Katana, mas nada de mais.

E quanto ao Coringa de Jared Leto? O ator se esforça e dá para ver que ele trabalhou bastante para viver o Príncipe Palhaço do Crime de forma marcante. Mas, tirando o visual um pouco inusitado para o vilão, o ator não consegue tornar sua visão do arqui-inimigo do Batman realmente memorável, como fizeram Heath Ledger Jack Nicholson no passado. Pode ser que ele se saia melhor no futuro, se o personagem aparecer nos vindouros filmes do Homem-Morcego (ou mesmo em algum episódio da “Liga da Justiça”). Mas em “Esquadrão Suicida”, infelizmente, não deu.

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Com um desfecho que lembra o de “Os Caça-Fantasmas” original, “Esquadrão Suicida” (que também conta com a participação especial do Batman, novamente vivido por Ben Affleck,  e mais um herói surpresa) tinha tudo para o ser o melhor blockbuster do ano. Mas do jeito que ficou, o filme ficou devendo (e muito) aos fãs de um bom cinema. Pode até ser que a DC/Warner acerte com as próximas produções, como “Mulher-Maravilha”. Só que parece estar cada vez mais difícil acertar o alvo, o que é uma pena, pois este universo conta com ótimos personagens que merecem ser tratados com mais carinho. O jeito é continuar tentando, como diria o Superman: “Para o alto e avante”!

Mais uma coisa: Há uma cena extra durante os créditos finais que vale a pena conferir.

Esquadrão7Filme: Esquadrão Suicida (Suicide Squad)
Direção: David Ayer
Elenco: Will Smith, Margot Robbie, Jared Leto
Gênero: Ação
País: EUA
Ano de produção: 2016
Distribuidora: Warner Bros
Duração: 2h 10min
Classificação: 12 anos

 

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Publicado por Célio Silva

Célio Silva

Sou um cara que, desde que viu Flash Gordon na telona, com 7 anos de idade, sempre foi apaixonado por cinema. Também curto muito TV, música e livros. Mas é na sétima arte que sinto o maior prazer.

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