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Festival do Rio: A promissora sensibilidade cinematográfica de “Mulher do Pai”

E um filme banhado com muita alma feminina fechou a Première Brasil deste Festival do Rio 2016. A diretora Cristiane Oliveira escreveu e dirigiu seu primeiro filme como um libelo do despertar do amor, do sexo e da afetividade de uma menina, nos grotões do Rio Grande do Sul, mais precisamente na fronteira com o Uruguai.

Mulher do Pai é um filme muito sensível na maneira como delimita a linha tênue que separa a relação daquela filha adolescente e seu pai cego. A trama conta a história de Nalu (Maria Galant), uma jovem de 16 anos e seu pai Ruben (Marat Descartes) que foram criados basicamente como irmãos e que moram em uma comunidade perto da divisa do Brasil com o Uruguai. Ele que ficou cego ainda jovem, sempre fora cuidado pela mãe Catarina, que era também responsável pela criação da neta. Logo após a morte de Catarina, pai e filha precisam achar a melhor forma de voltarem a viver.

A medida que vão se aproximando um do outro, e com o pai percebendo que a menina se torna a cada dia mais mulher, um sentimento perturbador vai surgindo e se intensifica com a chegada de Rosário, uma nova mulher na vida de Ruben, gerando alguns conflitos entre os dois.

O filme é uma co-produção daqui com o Uruguai, o que agrega ao longa gabaritos como parte da equipe técnica do clássico filme Whisky. Com uma fotografia que sublinha a melancolia de uma cidadezinha interiorana e sulina, a diretora consegue extrair de sua história o desabrochar de sua protagonista, de maneira bem fluída. Assim, Mulher do Pai desabrocha também uma diretora que parece ter muita consistência debaixo de tamanha sensibilidade.

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