Já era esperado que a Universal rebootaria seus monstros clássicos no cinema. Afinal, eles são a prata da casa (mais ou menos como as princesas da Disney). “A Múmia” (The Mummy, EUA/2017) é o primeiro título do chamado Dark Universe. A ideia é usar a mesma dinâmica da Marvel Studios, em que será criado um universo interligado, envolvendo Múmia, Drácula, Frankenstein, Lobisomen, Van Helsing, Homem Invisível e Médico e o Monstro.

Provavelmente a lenda ancestral egípcia foi convocada para abrir os trabalhos porque foi o único resultado exitoso comercialmente na tentativa do estúdio de transformar suas criaturas das trevas em fenômeno pop. E encabeçando o elenco, sai Brendan Fraser e entra o superastro Tom Cruise. A trama volta à Mesopotâmia de séculos atrás para contar a história de Ahmanet (Sofia Boutella). Ela tem seus planos interrompidos justamente quando está prestes a invocar Set, o deus da morte, de forma que juntos possam governar o mundo. Mumificada viva, ela é aprisionada dentro de uma tumba.

Nos dias atuais, o local é descoberto por acidente por Nick Morton (Cruise) e Chris Vail (Jake Johnson), saqueadores de artefatos antigos que estavam na região em busca de raridades. Ao lado da pesquisadora Jenny Halsey (Annabelle Wallis), eles investigam a tumba recém-descoberta e, acidentalmente, despertam Ahmanet. Ela logo elege Nick como seu escolhido e, a partir de então, busca a adaga de Set para que possa invocá-lo no corpo do saqueador.

Com exceção da troca de sexo do monstro, não há muita novidade nesse novo “A Múmia”. É o modelo clássico de reboot, repetindo elementos que funcionaram em produções anteriores, alterando apenas alguns elementos. É o segundo longa para o cinema dirigido por Alex Kurtzman. É um nome quente em Hollywood, envolvido em várias superproduções recentes. Escreveu o primeiro “Transformers”, produziu e escreveu o “Star Trek” de J.J. Abrams e “O Espetacular Homem-Aranha 2”. Ele cumpre exatamente o papel que lhe foi incumbido: diretor de aluguel, conduzindo a trama em favor do que realmente importa que são os efeitos especiais.

O roteiro vem assinado pelo bamba David Koepp, por Christopher McQuarrie (que tem colaborado frequentemente com Cruise) e Dylan Kussman. Até traz bons momentos, mas é previsível e descarrila no terço final. O tom aventuresco da versão de 1999 continua permeando a trama, embora elementos do terror se façam mais presentes. Aquele era essencialmente um desfile de CGI, enquanto esse, mesmo fazendo bastante uso dos efeitos (alguns muito parecidos com os daquele remake), envereda por um caminho mais sombrio e assustador. No elenco, Sofia Boutella empresta seu exotismo ao personagem título. Já Tom Cruise faz o herói/anti-herói-galã de sempre e Annabelle Wallis é a mocinha “forte/decidida/tenaz”, mas que no fim das contas depende do herói e está ali inserida mais para exercer a função de enfeite. O que merece destaque é a participação de Russell Crowe, na pele de um personagem que será fundamental no Dark Universe.

O novo “A Múmia” é o pontapé inicial em uma nova franquia, mas faltou brilho. A prioridade foi estabelecer o tal do universo das trevas, mas esqueceu-se do principal que é trabalhar o impacto e a conexão com as plateias, como tão bem fez a Marvel. Trata-se de um passatempo genérico que sequer desperta ansiedade por novos filmes. No entanto, se esta for apenas a ponta do iceberg, como dá a entender, ainda pode haver esperança para os Monstros da Universal.

Filme: “A Múmia” (The Mummy)
Direção: Alex Kurtzman
Elenco: Tom Cruise, Sofia Boutella, Annabelle Wallis
Gênero: Aventura, Terror
País: EUA
Ano de produção: 2017
Distribuidora: Universal Pictures
Duração: 1h 51min
Classificação: 12 anos