Teatro

Roleta Russa, de Raphael Montes, na adaptação de César Augusto

Roleta-russa é um teatro de trupe, de ritmo, movimento, de música e de jogo.

Porém um jogo voraz.

No sótão por onde se desenvolve a cena do crime, desenrola a ação dos universitários que uma vez dentro, determina-se tipos sociais.

O jogo do poker faz referência ao naturalismo no teatro, a máscara que esconde a sorte ou blefe.

Um grupo de amigo distintos, alguns consumidores de drogas, outros que impedem o uso de quem não tem discernimento para o uso, este grupo de elite provocam-se experimentações.

To play a role, o diretor que também adaptou a peça “Suicidas”, do jovem autor Raphael Montes.

A trupe carioca responde ao tema do bullying circunscrito no texto, como homofobia, síndrome de down, o uso do corpo da mulher por sua própria finalidade, a mulher obesa e o enfrentamento corajoso das condições, não menos sofrido, mas determinante na alteridade no palco.

Os amigos universitários se abrigam em um porão e jogam roleta-russa.

Este jogo tem regras e na contracena nos levam a crer que o dinheiro e beleza tem domínio, mas o conhecimento se mostra um segredo valioso.

Jovens com coragem de escolher como querem morrer, traz um caráter de poder e passividade.

Sempre volta a narrativa de Ale, aficionado por Machado de Assis, dá o tom da peça, o histórico dos personagens, os pensamentos por trás da ação e seu desejo de ser escritor onde a idéia da sua obra prima está como pano de fundo da própria experiência vivida.

No decorrer da peça há um ponto de virada, os valores sustentados e mantidos conforme a identidade de cada jogador da roleta russa, na identificação do público com a verossimilhança entre ator e personagem; o risco do jogo de roleta russa enquanto totalmente excluído da minha vontade, o suicídio enquanto idéia da própria sobrevivência no jogo.

Os tipos ainda respeitando regras moralizantes e físicas, há um momento de distorção e o narrador assimila com tesão tal disparate, enquanto a platéia se horroriza com um riso sarcástico o ato de necrofilia.

Roleta-russa se põe a serviço da solidariedade, bestialidade ou da crueldade.

O acontecimento enquanto realização não se efetua, mas o teatro é a arte do conjunto, luz, som.. que constrói uma ilusão, traz elementos para enfrentar, fugir, estranhar, repugnar ou aceitar.

Ficha Técnica

Texto: Raphael Montes
Adaptação e direção: César Augusto
Elenco: Dan Rosseto, (ALE) Diogo Pasquim (OTTO), Emerson Grotti (DAN) Felipe Palhares (NOEL), Gabriel Chadan (LUCAS), Helio Souto Jr. (ZAK), Lorrana Mousinho (Maria João), Maria Dornelas (RITINHA) e Virgínia Castellões (WALÉRIA)
Figurinos: Rodrigo Reinoso
Trilha sonora: César Augusto
Direção de produção: Felipe Palhares e Virgínia Castellões
Produção Executiva: Maria Dornelas
Fotos: José Luiz da França Neto
Assessoria de Imprensa: Fabio Camara.

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