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Absolutamente comovente, “O Quarto de Jack” é uma devastadora história de amor

Jack tem cinco anos. Seu mundo é auto descoberto dentro de uns claustrofóbicos metros quadrados de um quartinho, de onde nunca saiu com sua mãe. Toda essa ideia de limitação espacial não impede que Jack expanda os limites da imaginação de seu próprio mundo. Na verdade, Joy, sua mãe, foi confinada há sete anos no cativeiro e acabou gerando o menino, após sucessivos estupros do sequestrador.

O Quarto de Jack é o delicado ponto de interseção entre tragédia e lirismo, livremente baseado no chocante caso real revelado em 2008, na Áustria, da jovem que foi mantida em cativeiro por 24 anos, por seu próprio pai, que também a abusava sexualmente e, consequentemente, gerou alguns filhos.

A roteirista é a mesma autora do badalado livro Room, Emma Donoghue, da qual a trama também se inspira mais diretamente. A história já traz em si um fator humano muito sensível de ser destrinchado.

Apesar das atuações irrepreensíveis da mãe (Brie Larson, que faz um trabalho psíquico de sua personagem magistral) e do menino Jack (Jacob Tremblay: onde acharam essa criança tão boa? Que atuação comovente e sólida para tão pouca idade…), é o trabalho do diretor que mais impressiona. Lenny Abrahamson (do interessante Frank) se debruça sobre o ponto de vista da criança para dimensionar com destreza pelos espinhosos temas e artifícios que a história sugere.

O olhar “de fora” e ingênuo de Jack torna o filme tão pungente diante de tanta complexidade – principalmente da mãe, após saírem do cativeiro – que o contraste de suas consequências fica mais relevante que os possíveis extremos de sua aparente realidade.

O quarto de Jack, que possui uma fotografia intimista, coerente com o olhar de uma criança inerente e ao mesmo tempo tão presente ao mundo que o cerca, é um filme muito comovente. Mas acima de tudo, é um filme que fala de amor, esse substantivo tão banalizado, que encontra na urgência dessa história, uma forma muito aguda de se fazer tão imponderável. E como os cinco anos de um menino podem conter tamanha lucidez sobre todos os nossos anos.

  • Acabei de assistir… não sei ainda se gostei ou desgostei. Embora concorde com o que vc fala sobre os atores. Acho que sta minha fala se da ao fato de não ter uma introdução ou grandes ações que fizesse com que até a fuga do garoto nos deixasse mais apreensivo.
    enfim…
    Preciso ver de novo para poder ter uma opinião mais formada…

    Vale a pena assistir, mas sabendo que não haverá grandes emoções.

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