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Sepultura promove prog thrash metal em “Machine Messiah”

O Sepultura lança seu novo disco “Machine Messiah” (Sony Music, 2017) pouco depois de os irmãos Max e Igor Cavaleira, ex-líderes da banda, excursionarem com uma turnê comemorativa de 20 anos do álbum “Roots”. Lançado em 1996, no auge da banda, o álbum trazia ao thrash metal influências da música regional brasileira, e até indígena. Alguns fãs torceram o nariz a princípio, mas depois do estranhamento inicial o disco foi aclamado como o melhor já lançado e a crítica foi unânime ao elogiá-lo.

21 anos depois, sob a liderança de Andreas Kisser, único integrante da formação original, o conjunto aposta primariamente no thrash tradicional, mas a semente plantada em roots ainda germina, pelo que se pode ouvir nas faixas do novo disco. Apesar de ser um trabalho calcado na tradição do gênero, os aditivos de elementos distintos à sonoridade são usados em algumas faixas, mostrando que a lição ficou.

Um dos motivos porque Max deixou o Sepultura em 1998, além de desavença familiar, foi queria aprofundar o mergulho experimental da banda, proposta rejeitada. Porém até hoje, o quarteto ainda se permite um pouco de alquimia. Nessa “fase Kisser”, a banda continua investindo em uma vertente prog-thrash metal, a exemplo dos anteriores “Kairos”, “A-lex” e “Dante XXI”. A linha conceitual do álbum é uma jornada que explora a devoção religiosa do culto da sociedade ao avanço tecnológico com a idéia de um Deus salvador que volta para saudar a humanidade, mas sob a forma de um cyborg.

A imponente faixa título chega solene, abrindo os trabalhos de forma ambiciosa. Já a seguinte, ‘I Am The Enemy’, é um autêntico exemplar de thrash metal. ‘Phantom Self’ é introduzida por um toque de brasilidade que acena para a experiência de “Roots” e  se revela tão pesada quanto épica no seu desenrolar. O diálogo travado entre a guitarra de Andreas Kisser e instrumentos de cordas, por mais que esteja longe do inovador, é um recurso que merece destaque. Deslumbre também é ‘Iceberg Dances’, que traz uma inserção flamenca fazendo contraponto ao chumbo grosso. Já ‘Sworn Oath’ peca um pouco pelo excesso e escorrega nos clichês.

Em ‘Resistant Parasite’ o destaque vai para a furiosa bateria de Eloy Casagrande, que assume as baquetas originalmente comandadas por Igor Cavaleira. Longe de soar como um músico contratado tentando emular o antecessor, ele imprime sua marca sem se afastar totalmente do estilo estabelecido pela banda. O gigante Derrick Green já não precisa mais confirmar sua competência como vocal da banda. Ainda assim, o americano, que entrou na banda substituindo Max Cavaleira há 18 anos, parece se esmerar em cada uma das faixas do disco.

“Machine Messaiah” mostra que essa fase do Sepultura não é uma sobrevida de um conjunto desfalcado e trôpego como vemos em alguns exemplos de bandas com anos de estrada. Completando 30 anos de atividades (26 de reconhecimento dentro do próprio país, depois de fazer nome na Europa e EUA), pode-se dizer que a maior instituição do metal brasileiro ainda tem fôlego para percorrer mais quilômetros na via expressa do thrash metal.

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