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“O Cortiço” inspira “Musical Bertoleza” no Sesc Belenzinho

A Gargarejo Cia Teatral estreia o musical Bertoleza, inspirado no livro O Cortiço, de Aluísio Azevedo, no dia 7 de fevereiro no Sesc Belenzinho. A montagem, com adaptação, direção e músicas de Anderson Claudir, conta a história do clássico naturalista de Aluísio de Azevedo, agora sob ponto de vista da Bertoleza, uma mulher negra que é tão importante para a construção do romance quanto o próprio João Romão, o protagonista original.

Na trama, o oportunista Romão propõe uma sociedade à escrava Bertoleza, prometendo comprar a alforria dela. Eles começam uma nova vida juntos e constroem um pequeno patrimônio formado por um enorme cortiço, um armazém e uma pedreira. Depois de acumular capital considerável, o ambicioso João Romão já não sabe mais como se tornar mais rico e poderoso. Envenenado pelo invejoso Botelho, ele decide se casar com Zulmira, a filha de Miranda um negociante português recentemente agraciado com o título de barão. Mas, para isso, precisa se livrar da amante Bertoleza, que trabalha de sol a sol para lutar pelo patrimônio que eles construíram juntos.

Para a companhia, o grande desafio foi fazer com que uma narrativa do século 19 questionasse e problematizasse as relações criadas nos dias de hoje. Por isso, o projeto iniciado em 2015 foi ganhando novos contornos. “Quisemos investigar uma identidade brasileira que vem da diáspora africana e pensar em como isso nos afeta artisticamente. Assim, podemos criar novos signos para essa geração e dar uma voz para essa terra periférica”, conta Claudir.

No processo, o coletivo procurou a força da figura de Bertoleza em outras mulheres negras brasileiras negligenciadas pela História. Durante a encenação, o elenco relembra as histórias dessas mulheres, como a vereadora Marielle Franco, militante da luta negra assassinada em março de 2018; a escritora Carolina Maria de Jesus, famosa pelo livro Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada; a jornalista e professora Antonieta de Barros, defensora da emancipação feminina que foi apagada dos livros de História; a escritora Maria Firmina dos Reis, considerada a primeira romancista brasileira; e a guerreira Dandara, que viveu e lutou no período colonial.

A protagonista dessa história é interpretada pela atriz Lu Campos, e o elenco também tem como destaque Eduardo Silva (Botelho). O time de intérpretes fica completo com Taciana Bastos (Zulmira), Bruno Silvério (João Romão) e pelos integrantes do coro Ananza Macedo, Cainã Naira, David Santoza, Gabriel Gameiro, Matheus França, Palomaris e Welton Santos. A direção musical é assinada por Eric Jorge; o dramaturgismo e a poesia, por Le Tícia Conde; e a coreografia, por Emílio Rogê.

O espetáculo fica em cartaz até 1º de março, com sessões às sextas e aos sábados, às 21h30, e aos domingos (e no dia 22 de fevereiro), às 18h30.

Relação profunda entre vida e obra

“Bertoleza é uma personagem inspirada em tantas histórias de um povo que resiste às injustiças de uma lógica racista. Sua história resiste ao tempo. Ela representa a força dessas inúmeras mulheres que sustentam a base do nosso país”, comenta Eduardo Silva. Para ele, o inescrupuloso Botelho também é bastante atual. “É a velha manipulação política, que não se preocupa com o povo e justifica suas incoerências sem a menor base social ou científica”, completa.

Para Lu Campos, interpretar Bertoleza tem um significado ainda mais profundo. No processo desde 2015, ela conta que vivenciou um chamado ancestral em 2017: suas antepassadas maternas deram-lhe a missão de quebrar o ciclo de opressão vivenciado por sua família desde os tempos de escravidão. “Espero que as mulheres pretas se sintam bem representadas na peça e a partir disso, busquem seus lugares de protagonismo nos variados âmbitos da vida”, conta.

Para a atriz, estar nesse processo contribui para a sua expansão de consciência. Em busca de mais respostas sobre sua ancestralidade, ela também cursou a pós-graduação em Matriz Africana pela FACIBRA/Casa de Cultura Fazenda Roseira. “As pessoas precisam perceber quão rica e diversificada é a matriz africana, por isso ela deve ser resgatada e valorizada. Afinal, a África é o ventre do mundo”, emociona-se.

Ficha técnica

Direção e Adaptação: Anderson Claudir
Direção Musical: Eric Jorge
Dramaturgismo e poesia: Le Tícia Conde
Texto final: Anderson Claudir e Le Tícia Conde
Elenco: Lu Campos, Eduardo Silva, Ananza Macedo, Cainã Naira, Palomaris, Taciana Bastos, Bruno Silvério, David Souza , Edson Teles, Gabriel Gameiro, Matheus França e Welton Santos
Coreógrafo: Emílio Rogê
Preparação Vocal e Assistência de direção musical: Juliana Manczyk
Coordenadora de Produção: Cláudia Miranda
Produção Executiva: Andréia Manczyk
Assistente de Produção: Marina Pinho
Cenografia e Figurino: Daniela Oliveira
Assistente de cenário e figurino: Gabriela Moreira
Iluminação: Andressa Pacheco
Assistente de Iluminação: Stella Pollitti
Vídeo: Aline Almeida
Assessoria de imprensa: Bruno Motta Mello e Verônica Domingues – Agência Fática
Técnico de Palco: Maria Clara Venna e Leonardo Barbosa

Serviço

BERTOLEZA, da Gargarejo Cia Teatral
De 7 de fevereiro a 1º de março de 2020. Sexta e sábado, 21h30. Domingo, 18h30
(Dia 22 de fevereiro, sábado, 18h30)
Local: Sala de Espetáculos I (100 lugares)
Valores: R$ 30 (inteira). R$ 15 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor da escola pública com comprovante). R$ 9 (credencial plena do Sesc: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes)
Ingressos disponíveis pelo portal Sesc SP (www.sescsp.org.br) a partir do dia 28/1, às 12h, e nas bilheterias das unidades do Sesc a partir de 29/1, às 17h30. Limite de 4 ingressos por pessoa
Duração: 90 minutos
Recomendação etária: 12 anos
Sesc Belenzinho
Endereço: Rua Padre Adelino, 1000.
Belenzinho – São Paulo (SP)
Telefone: (11) 2076-9700

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