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Lançamento do livro “Revolta de Hong Kong”, com a presença do autor Au Loong-Yu

O livro será lançado pelo Zoom

Na próxima segunda-feira, dia 28/11, às 18hs, a Editora Sundermann realiza, pela plataforma Zoom, o lançamento do livro “Revolta de Hong Kong”, com a presença do autor Au Loong-Yu, marxista chinês, radicado hoje no Reino Unido.

O bate-papo com o autor será conduzido por Fábio Bosco (PSTU-Brasil) e por Felipe Alegria (Corriente Roja – Estado espanhol), ambos militantes da Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (LIT-QI). O evento terá tradução simultânea no Zoom.

Inédito em português, o livro “Hong Kong em revolta: o movimento de protesto e o futuro da China”, do escritor, jornalista e militante socialista Au Loong Yu, que está sendo lançado pela Editora Sundermann com uma introdução do autor especialmente escrita para a edição brasileira, tem duas virtudes fundamentais.

A primeira é sua capacidade em nos introduzir, por aproximações sucessivas e cada vez mais aprofundadas, aos eventos ocorridos entre março de 2019 e julho de 2020, seus protagonistas e à dinâmica da revolta. A segunda é que, a partir daí, traz reflexões sobre as conclusões políticas e suas implicações, não apenas para a luta em Hong Kong, mas para de todos os trabalhadores contra o capitalismo mundial.

A radicalidade de uma luta contra a ditadura chinesa
Hong Kong foi dominada pelos britânicos por mais de um século, até 1997, quando foi devolvida para China. De lá pra cá, sob a denominação “Um país, dois sistemas”, foi prometido que a região manteria certa autonomia e, principalmente, teria eleições livres para o governo.

Isto não só não foi cumprido, como a ação tomada pela ditadura chinesa foi a de cercear a autonomia, impor leis repressivas e controlar completamente as eleições, com os candidatos sendo escolhidos diretamente pelo Partido Comunista Chinês (PCCh), dentre outros absurdos que incluíram até a perseguição e “desaparecimento” de livreiros que vendiam publicações proibidas pela ditadura.

Loong Yu conta como estudantes, jovens e trabalhadores de Hong Kong transformaram a luta contra uma lei repressiva chinesa em um levante pelo direito ao sufrágio universal. Enfrentando uma dura repressão e utilizando métodos de luta radicalizados, os manifestantes impuseram derrotas ao seu governo e a China.

O livro apresenta, com a vivacidade, esta nova geração de lutadores, sua radicalidade e formas de participação na disputa política. Também desenvolve os desdobramentos dentre os trabalhadores, como o ressurgimento de um movimento sindical, rejuvenescido, em luta contra as velhas burocracias.

Polêmica
A revolta de Hong Kong divide a esquerda mundial
Ainda existem aqueles que, na esquerda, defendem que há socialismo na China ou que defendem o país, mesmo sabendo de que se trata de um capitalismo ditatorial. Esse setor afirma que a “Revolta de Hong Kong” não passou de uma grande conspiração por parte dos países imperialistas, em especial dos Estados Unidos.

Mas, ao nos depararmos, no livro, com as histórias reais, a riqueza de detalhes e as descrições dos fatos, fica evidente que a revolta foi um genuíno movimento popular de massas contra o governo de Hong Kong, controlado pela ditadura chinesa. A leitura dá nitidez, inclusive, para o debate sobre o caráter de classe da própria China, desmontando a base da falácia neostalinista.

A obra é uma artilharia pesada contra os métodos usados pelos neostalinistas para desconsiderar a natureza progressiva desta luta, tomando como critério a falta de definição categórica, por parte de seus participantes, do conteúdo político, programático ou de classe que veio à tona durante a revolta.

Discute, também, porque a presença de setores burgueses ou de direita não invalida o caráter justo da luta. Lembrando, inclusive, que mesmo nas lutas contra a violência racial nos EUA há, também, a presença de setores burgueses.

Transformar a luta democrática em anticapitalista
Os momentos mais agudos da luta de classes podem justamente servir para que os ativistas, através das experiências reais, tomem cada vez mais consciência e compreensão sobre quem são seus inimigos, qual é seu programa e para onde é preciso ir.

O autor não nega as complexidades e contradições do processo. Inclusive, descreve os setores de classe e seus posicionamentos políticos. Por exemplo, detalha como os magnatas de Hong Kong estavam aliados ao governo chinês. Ou como a ditadura chinesa, sob desculpa de acabar com a herança da colonização britânica, através do governo de Carrie Lam, mantêm e até mesmo utiliza as próprias leis coloniais contra os manifestantes.

Também argumenta contra os que creem que a luta em Hong Kong deve caminhar para uma aproximação e submissão ao imperialismo ocidental. Da mesma forma, distancia-se da falsa discussão sobre se a estratégia deve ser a defesa da independência e separação da China, ao colocar o problema na sua dimensão correta: como conectar as demandas dos hong kongers com a luta de todos os chineses contra a ditadura capitalista de Pequim e, também, a opressão do imperialismo ocidental.

Ou seja, como transformar esta luta democrática num combate que também se volte contra o sistema capitalista e suas consequências.

O que esta em jogo?
A dimensão mundial da luta em Hong Kong
A força dos episódios narrados por Au Loong Yu transcende as fronteiras de Hong Kong até mesmo porque Hong Kong transcende a si própria. Hoje, a região é um grande enclave do capitalismo mundial. Serve tanto ao vultuoso enriquecimento dos capitalistas chineses (e de interação deles com mercado mundial), quanto também é um ponto de acesso para os capitais dos EUA e outros países imperialistas, para garantir seus lucros e interesses no mercado asiático e chinês.

Ao lado de Taiwan é um dos “dois olhos” de um mesmo furacão que varre o mundo hoje. O que está em jogo em Hong Kong é muito mais do que a imprensa pró-imperialista ocidental ou os defensores de Pequim tentam fazer parecer. Diz respeito ao que os trabalhadores devem fazer diante deste conflito interburguês, nesta disputa entre um imperialismo decadente dos EUA e um pretenso imperialismo novo, hegemonizado pela China.

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