Panchiko lança o álbum Ginkgo

Após décadas longe dos holofotes, a banda britânica Panchiko retorna com força total com o álbum Ginkgo. Formado originalmente nos anos 1990 por adolescentes de Nottingham que tocavam para plateias vazias e chegaram a abandonar a carreira musical, o grupo renasceu após um curioso episódio: em 2016, um usuário do 4chan encontrou um CD demo da banda — D>E>A>T>H>M>E>T>A>L, lançado em 2000 — em um brechó e o compartilhou online.

O sucesso na internet reativou a banda, que se reformou oficialmente em 2021 com os membros fundadores Andy Wright (teclado e produção), Owain Davies (voz e guitarra) e Shaun Ferreday (baixo), agora acompanhados por Robert Harris (guitarra) e John Schofield (bateria). Eles deixaram empregos, montaram um estúdio em sua cidade natal — “um sonho adolescente realizado”, nas palavras de Wright — e passaram a se dedicar integralmente à música. O resultado veio em 2023, com o lançamento de Failed At Maths, o primeiro álbum oficial em mais de duas décadas.

Ginkgo é o trabalho maduro que surge após realizar um sonho, com 13 faixas que apresentam uma banda mais coesa e contemplativa. Com produção mais refinada e tempo para experimentar, o novo disco transita entre a melancolia poética e uma energia renovada, como em “Chapel of Salt”, que ganhou clipe.

A sonoridade da banda sempre foi uma fusão inventiva de estilos, unindo o lo-fi com do folk ao rock setentista. O novo álbum une essas sonoridades a elementos mais pesados, como trip hop, nu-metal e hip-hop melancólico, criando uma fusão entre juventude e vida adulta. Músicas como “Lifestyle Trainers” abordam os compromissos e as curvas de longo prazo da vida, enquanto “Shandy in the Graveyard”, com participação do rapper billy woods, resgata a sensibilidade adolescente dos integrantes e do público majoritariamente jovem que lota seus shows.

Apesar da notoriedade tardia, Panchiko não perdeu sua essência. A arte da capa do novo álbum é uma foto espontânea tirada pela filha de Wright — um gesto simples, mas que representa bem a pureza e autenticidade que sempre guiaram a banda. “Pagamos um adiantamento generoso a um artista para fazer a capa, mas essa imagem disse tudo”, conta o tecladista. Davies completa: “É pura. Não tem nada de forçado”.

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