No Critics’ Choice, a protagonista de “All Her Fault” ganhou o prêmio de Melhor Atriz em Minissérie. No Globo de Ouro, o ator mirim de “All Her Fault” roubou a cena com seu look elegante. Eram os combustíveis que faltavam para uma estreia em grande estilo. Logo após essas premiações a minissérie “All Her Fault” chegou ao catálogo brasileiro da Amazon Prime e ficou entre os conteúdos mais vistos. E não era para menos: com um mistério sólido e um plot twist muito bem orquestrado, é uma minissérie imperdível.
Marissa Irvine (Sarah Snook) vai buscar o filho Milo, que estava brincando com um coleguinha depois da escola, no endereço combinado. Mas ele não está lá. Nunca esteve lá. O mundo de Marissa vira de cabeça para baixo.
Naquele dia, Marissa havia recebido uma mensagem assinada por Jenny, que ela imaginou ser Jenny Kaminski (Dakota Fanning), a mãe de um colega de Milo, Jacob. Jenny trabalha para uma editora e tem um marido inútil, assim como Marissa.

Os pais da escola têm como primeira e mais óbvia suspeita a imigrante chilena Ana Garcia (Kartiah Vergara), que é babá de Milo e naquele fim de semana viajaria para outra cidade. No fundo, tinham razão: foi a babá de Jacob, Carrie Finch (Sophia Lillis), que pegou Milo na saída da escola naquele dia fatídico. A partir de então, a culpa recai sobre Jenny, que contratou uma babá com referências falsas e não observou os sinais de alerta.
Num flashback, vemos o marido de Marissa perguntando por que ela não dorme enquanto Milo, recém-nascido, dormia. Ela responde que trabalha enquanto o bebê dorme, mas faz muito mais do que isso, por exemplo, estuda sobre ciclos de sono para dar ordens ao marido, ensinando-o a ser pai. Enquanto isso, Jenny tem o diagnóstico perfeito para quando o marido “ajuda” a cuidar do filho: “eu sou o padrão, você é o pai substituto”. E isso ainda antes de descobrirmos que ele mentia para ela para que ela passasse mais tempo com o filho… De boas intenções o inferno está mesmo cheio, não?
Marissa não tem rede de apoio, sendo as pessoas mais próximas o marido, a cunhada e o cunhado. Jenny chega para mudar esse retrato. Vemos mais para frente que não é em todas as mães que elas podem confiar, afinal uma delas, uma mãe da escola dos meninos, está sempre pronta para julgar e mandar indiretas.

No quarto episódio a minissérie desvia o foco da família Irvine para nos dar um vislumbre da vida familiar do investigador Jim (Michael Peña), que tem um filho com deficiência. Ele fica dividido entre fazer algo errado para benefício do filho ou seguir com seu código de ética. O contraponto entre Jim e outras figuras paternas da série é até óbvio, ainda mais quando descobrimos, no episódio seguinte, um segredo terrível que Peter guardou por décadas. O pai presente – que não é nada mais que a obrigação do homem que decide se reproduzir – é alçado à categoria de herói porque os outros pais são ruins demais em comparação.
Sarah Snook é tão boa atriz que até tremendo, ela treme com perfeição. Vencedora de diversos prêmios por sua atuação em “Succession”, a atriz australiana encontra sucesso no cinema, televisão e teatro. E o que dizer de Dakota Fanning? Nós a vimos crescer em frente às câmeras e, sinal de que estamos velhos, ela já está fazendo papel de mãe. Aos sete anos, ela se tornou a mais jovem indicada ao Screen Actors’ Guild Award – hoje chamado Actor Award. E por falar em crescer, Sophia Lillis, que despontou no terror “It”, tem no sétimo episódio a chance de brilhar ao contar a história pregressa de Carrie.

No aplicativo de séries e filmes TV Time, um usuário disse que “toda mãe é mãe solo”. Isso é uma verdade. O peso da maternidade é e sempre será maior que o da paternidade. Não fica mais leve depois da gravidez, do desmame, do desfralde, da entrada para a escola. Vamos mais além: o nome da minissérie em inglês (All her Fault = tudo culpa dela) já aponta para a culpa materna, esse sentimento de tamanho intergaláctico. Mas descobrimos, com o desenrolar da minissérie, que muitas vezes ser culpada não significa ter de ser condenada.
NOTA 10 de 10








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