A Biblioteca Mário de Andrade recebe A geometria como totem, exposição individual de Paulo Otavio com curadoria de Denise Mattar. Formado no campo do design gráfico, o artista passou pelo desenho, pela gravura, pela comunicação visual e pela modelagem antes de concentrar sua produção na escultura. A mudança de suporte ampliou uma investigação que já estava colocada no plano: a organização da forma, as relações de proporção e a geometria como estrutura para pensar a imagem. Apresentar esse trabalho na Biblioteca Mário de Andrade acrescenta uma circunstância particular à exposição. Em uma instituição cuja história está ligada ao livro e à cultura gráfica, Paulo Otavio apresenta o desenvolvimento tridimensional de uma pesquisa que tem parte de sua origem nesse mesmo universo.
Realizadas em aço-carbono e pintura automotiva, as esculturas partem de uma construção geométrica rigorosa, atravessada pelo interesse do artista pela tradição da abstração geométrica brasileira e por seus estudos sobre a chamada geometria sagrada. No texto da exposição, Denise Mattar observa que Paulo Otavio retira desse campo sobretudo princípios de “proporção e correspondência, equilíbrio, rotação, ritmo e transformação”. A pesquisa aparece em trabalhos como O Todo, Lei da Correspondência, Rotor e Módulos Complementares, nos quais relações matemáticas e geométricas são submetidas à experiência concreta da escultura, à escala, à matéria, à luz e ao ponto de vista de quem se desloca diante das obras.
“Sua escultura nasce de uma operação mental, de uma geometria rigorosa, executada com precisão absoluta, mas que não permanece confinada no domínio do cálculo”, escreve Denise Mattar. A afirmação situa uma questão central da produção de Paulo Otavio: a geometria funciona simultaneamente como método de construção e campo de pesquisa. Seu percurso reúne referências da história da arte brasileira, procedimentos vindos de sua formação gráfica e um interesse continuado pelas relações que permitem a uma forma se transformar sem perder a lógica que a constitui. Em A geometria como totem, esse percurso pode ser visto a partir da produção que o artista desenvolve hoje em escultura.

Paulo Otavio – A geometria como totem
Abertura: 5 de setembro de 2026, às 11h
Permanência até 11 de outubro de 2026
Visitação: Segunda a sexta-feira: das 9h às 21h | Sábados, domingos e feriados: das 9h às 18h
Biblioteca Mário de Andrade
Endereço: Rua da Consolação, 94 – República, São Paulo
Apoio: DAN Galeria
Bio
Paulo Otavio (São Paulo, 1969) é artista e designer gráfico. Sua pesquisa escultórica parte da geometria e de sua experiência com o design para investigar forma, volume, equilíbrio e espaço. Iniciou seus estudos em escultura em 2005 e, em 2017, realizou sua primeira exposição de grande porte, Movimento Constante, no Museu Afro Brasil, com curadoria de Emanoel Araújo. Representado pela Dan Galeria, participou de exposições e feiras como SP-Arte, ArPa e ArtRio. Tem obras nos acervos do Museu Afro Brasil e do MACS – Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba, além de trabalho instalado no Parque Geminiani Momesso, em Ibiporã (PR). Entre suas exposições recentes estão Geometria Sensível (2024), Joaquín Torres García – 150 anos, no CCBB-SP (2025/26), e Aurora, com curadoria de Magnólia Costa (2026).
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