Se são nas animações que estão as maiores invenções artísticas do cinema (pelo menos) americano, é para lá que vão muitos cineastas interessados em oxigenar suas carreiras. Gore Verbinski, diretor da franquia Piratas do Caribe e de trabalhos intimistas como o denso O Sol de cada Manhã investiu sua expertise em Rango, da Paramount e não decepcionou.
Aliás, assim como seu o seu citado filme mais dramático, o longa, indo além de sua áurea infantil, fala sobre identidade, num roteiro ao mesmo tempo redondinho mas muito bem sacado e desenvolvido. Rango é um camaleão doméstico que por acidente foi parar numa típica cidade do Velho Oeste, que sofre com iminente falta de água. O roteiro assim propõe um jogo interessante já que antes do tal acidente Rango é descrito como um animal que vive em meio às concepções de sua fértil imaginação; e ao ser jogado às desventuras de sua nova “vida” todo ideário que alimentou é colocado a prova.
Um dos pontos mais altos do filme é sem dúvida o seu apuro técnico, que faz frente a conhecida competência da Pixar/Disney. A estética semi-áustera da cidade carente de água e o detalhismo dos personagens são impecáveis, aliados ao subtexto do roteiro conferem ao trabalho um refinamento que vai além da simples paródia inteligente que foram as últimas animações. Fora que Verbinski demonstra personalidade ao abdicar do recurso 3D, uma raridade em filmes infantis.
E mesmo sem essa possibilidade de mais dólares, a animação cujo personagem-título é dublado por Jhonny Depp teve uma ótima abertura de lançamento, rendendo quase US$ 40 milhões de dólares. Uma prova de que o público absorve pérolas mesmo sem adendo tecnológicos para tal.









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