Após mais 30 anos de existência e mais de 18 projetos, investigados e encenados, publicações, palestras, viagens pelo Brasil e exterior, a Fraternal Companhia de Arte e Malas-Artes traz de volta à cena o espetáculo O CASO SEVERINA em uma circulação pela cidade de São Paulo. Com direção de Ednaldo Freire e texto de Alex Moletta, a montagem faz apresentações gratuitas de 20 a 23 de março no Teatro Arthur Azevedo e de 28 a 30 de março no Centro Cultural Vila Formosa. Já nos dias 12 e 13 de abril as sessões acontecem no Centro Cultural Santo Amaro.
O CASO SEVERINA, que parte de um fato ocorrido em Caruaru, município de Pernambuco, noticiado pelo jornal Diário de Pernambuco, em 2011, tem no elenco os atores Mirtes Nogueira, Aiman Hammoud, Maria Siqueira, Giovana Arruda e Luiã Borges. A peça narra a incrível história de Severina, de 44 anos, que manda matar o próprio pai. Um crime de parricídio por si só já é trágico, porém mais fortes que o ato, precisam ser os motivos que levaram a ele.
Contemplada pela 19ª Edição do Prêmio Zé Renato de Teatro da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, a circulação de O CASO SEVERINA pretende dar voz às inúmeras mulheres vítimas da violência doméstica, que vivem situações similares sem encontrar forças para se libertar.
Fato social em fato teatral
Para criar O CASO SEVERINA, a Fraternal Companhia de Arte e Malas-Artesrealizou um extenso trabalho de pesquisa, que durou oito meses e utilizou tanto o material publicado pela mídia quanto os autos do processo, dentro de um projeto do grupo intitulado Do Fato ao Ato.
“Nosso projeto de pesquisa tem por objetivo transformar um fato social num ato teatral, sempre privilegiando os diversos pontos de vista dos personagens envolvidos na situação”, diz o diretor Ednaldo Freire. “Essa metodologia propõe colocar o ator como principal vetor e agente do ato, no sentido de que cada membro do grupo (ator/cidadão) é uma unidade social que vivencia e testemunha tais fatos em seu dia-a-dia”.
Por se tratar de um acontecimento real, o espetáculo mantém o caráter documental, expondo de forma épica, os dados fornecidos pela investigação jornalística, como datas, locais e tempo de ocorrência. Apesar do ator ser peça chave, o texto foi construído pelo dramaturgo do grupo, Alex Moletta, que acompanhou todo o processo de criação em sala de ensaios.
De acordo com Alex Moletta, o trabalho de construção da dramaturgia ficou mais focado no enredo e na estrutura narrativa, sendo que o maior desafio foi contar a história sem pré-julgar os personagens, além de ter um cuidado com a vítima, Severina, para não espetacularizar a violência.
“Esse processo de criação tinha um diferencial, a história de Severina é utilizada como estudo de caso em cursos de direito em universidades e possui transcrições dos depoimentos durante o julgamento e isso deu muito mais realismo e verossimilhança para a dramaturgia. Depoimentos do delegado, dos matadores e principalmente da Severina foram fundamentais para entendermos o perfil e contextos dos personagens. A partir daí iniciamos o processo de dar vida e corpo a essa estrutura, procurando não julgar os personagens e deixar isso ao público”, explica o dramaturgo.
Serviço:
O CASO SEVERINA
Com a Fraternal Companhia de Arte e Malas-Artes
20 a 23 de março, quinta-feira a sábado às 21h e domingo às 19h.
Teatro Arthur Azevedo – Av. Paes de Barros, 955 – Alto da Mooca, São Paulo.
28 a 30 de março, sexta-feira e sábado às 20h e domingo às 19h.
Centro Cultural Vila Formosa – Av. Renata, 163 – Vila Formosa, São Paulo.
12 e 13 de abril, sábado às 20h e domingo às 18h.
Centro Cultural Santo Amaro – Av. João Dias, 822 – Santo Amaro, São Paulo.
70 minutos | 16 anos | Ingressos gratuitos.
Ficha técnica:
Concepção, Criação e Produção – Fraternal Companhia de Arte e Malas-Artes. Direção – Ednaldo Freire. Dramaturgia – Alex Moletta. Elenco – Mirtes Nogueira, Aiman Hammoud, Maria Siqueira, Giovana Arruda e Luiã Borges. Assessoria de Imprensa – Nossa Senhora da Pauta.
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