Em Infinitum Depois do Fim, o autor cearense Walber Santos oferece ao leitor uma narrativa que vai além das fronteiras da ficção científica tradicional. Longe de ser apenas um jogo de tecnologia e cenários futuristas, o autor constrói uma história profundamente humana, onde os conflitos internos são tão relevantes quanto as guerras interestelares ou as viagens no tempo. Trata-se de um spin-off de O Enigma do Apocalipse , mas com identidade própria, capaz de se sustentar como obra independente — embora ganhe camadas adicionais quando lido em conjunto com o universo maior criado pelo autor.

Como prequel dos eventos cataclísmicos previstos para 2026, Infinitum Depois do Fim mergulha nas origens de certos mistérios cósmicos e emocionais que permeiam a série. A narrativa gira em torno de Ema Borges, personagem já conhecida do primeiro livro do autor, cujo ponto de vista se torna a lupa através da qual acompanhamos um grupo de amigos envolvidos em acontecimentos que transcendem o plano terrestre.
O livro equilibra habilmente elementos de ficção científica hard — como realidades alternativas, manipulação temporal e civilizações extraterrestres — com um olhar íntimo sobre questões existenciais, amor verdadeiro e amizade inabalável. O autor não tem medo de tocar temas sensíveis como dependência química, crise existencial e tentativa de suicídio, trazendo uma dose de realismo que humaniza até mesmo os personagens mais envoltos em mistério.
👥 Personagens e psique
A construção psicológica dos personagens é um dos grandes destaques da obra. Ema Borges emerge como uma protagonista complexa, carregando cicatrizes emocionais que dialogam diretamente com os dilemas enfrentados pela sociedade contemporânea. Sua jornada reflete um processo terapêutico visível na escrita do autor, que afirma no prefácio que este livro foi parte essencial de sua própria cura emocional.
Esse aspecto autobiográfico confere à narrativa uma sinceridade rara, permitindo ao leitor sentir-se compreendido, especialmente aqueles que vivenciam crises emocionais sem saber a quem recorrer. A obra também inclui um importante aviso logo no início:
“Esta história aborda temas sensíveis como dependência química extrema e suicídio.”
Disque 188 (CVV) – Centro de Valorização da Vida
Essa responsabilidade social reforça o compromisso do autor com a ética e a empatia, características que elevam o valor literário da obra.
🌍 Temática e simbolismo

Embora o enredo seja repleto de ação e suspense, o cerne da narrativa reside na busca por sentido e conexão. Santos explora conceitos filosóficos e espirituais como destino, livre-arbítrio e infinito, questionando até onde o ser humano pode ir para proteger aquilo que ama. A dualidade entre o vasto universo e a pequenez individual é constantemente revisitada, gerando reflexões sobre nossa posição diante do caos.
Além disso, a obra resgata a ideia de comunidade e apoio mútuo como pilares fundamentais para a sobrevivência — não só física, mas emocional. Em tempos marcados por distanciamento e individualismo, essa mensagem soa particularmente atual e necessária.
📝 Estilo e linguagem
A linguagem de Walber Santos é direta, clara e eficiente, mas não descuida da estética literária. Ele sabe dosar momentos de ação intensa com pausas reflexivas, garantindo ritmo dinâmico sem perder densidade emocional. A prosa é frequentemente poética nos trechos introspectivos, contrastando com diálogos naturais e situações cotidianas que dão veracidade aos personagens.
O uso de meta-narrativa — ao revelar que o livro nasceu de um processo terapêutico — acrescenta uma camada metalinguística que aproxima ainda mais o leitor do propósito central da obra: curar, reconectar e transformar .
🔗 Relação com a série e recomendação
Apesar de ser tecnicamente um spin-off, Infinitum Depois do Fim se beneficia muito ao ser lido após O Enigma do Apocalipse . Conhecendo o universo prévio, o leitor percebe nuances e conexões que enriquecem a experiência. No entanto, mesmo sem esse contexto, a história mantém seu poder narrativo, graças ao cuidado do autor em explicar contextos sem cair no excesso de exposição.
Recomendo fortemente a leitura do primeiro título antes deste, não por necessidade estrita, mas para ampliar a imersão no universo criado por Santos.
NOTA: 8,0









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