Avatar: Fogo e Cinzas aposta no espetáculo ainda preso à fórmula

Avatar: Fogo e Cinzas expande o universo de James Cameron com novos conflitos em Pandora, introduzindo o Povo das Cinzas, paisagens vulcânicas impressionantes e uma trama que aposta mais no espetáculo visual do que na inovação narrativa.


Avatar fire and ash

Entre o deslumbramento visual e a repetição narrativa, James Cameron entrega mais um espetáculo em Pandora.

Avatar era o projeto ambicioso de James Cameron que levou anos para ser lançado — 11 anos após Titanic, seu filme anterior — e, para muitos, valeu a pena a espera. Um CGI nunca antes visto deu vida ao povo Na’vi, aliado a um 3D que, sem exagero, revolucionou o cinema. Avatar: Fogo e Cinzas já é o terceiro capítulo da série, que soma mais de US$ 4 bilhões em arrecadação, e pode-se dizer que sofre das mesmas fragilidades da história original. A diferença é que, enquanto o longa de 2009 reciclava o mito do bom selvagem (o que rendeu inúmeras comparações com Pocahontas e O Último dos Moicanos), este aqui recicla o próprio universo criado por Cameron.

Desta vez, a história apresenta as paisagens vulcânicas do planeta, um ambiente hostil e repleto de vida, onde o fogo dita as regras da sobrevivência. Ainda marcados pela guerra contra a RDA e pela morte do filho mais velho, Jake Sully (Sam Worthington) e Neytiri (Zoe Saldaña) se veem diante de uma ameaça inédita: o Povo das Cinzas, uma tribo Na’vi brutal e expansionista, liderada pela temida Varang (Oona Chaplin). Mestres no domínio do fogo, esses guerreiros carregam uma força capaz de alterar o equilíbrio de Pandora. Com a retomada das investidas humanas e o surgimento desse novo inimigo, os Sully são empurrados aos seus limites físicos e emocionais, lutando não apenas para sobreviver, mas para proteger o futuro do planeta e tudo o que ainda resta de sua antiga vida.

Quando foi anunciado que veríamos um novo povo Na’vi, era esperado que houvesse o mesmo aprofundamento cultural e de peculiaridades visto com os Metkayina em Avatar: O Caminho da Água. Ocorre que estes, que dividem o papel de antagonistas com os terráqueos, são mostrados apenas como vilões. Estão ali para oferecer perigo aos mocinhos, sem muito desenvolvimento. A exceção fica por conta de Varang, que mistura exuberância e pavor e, mesmo podendo ter maior profundidade — já que sua motivação é um tanto rasa —, é uma personagem bem desenhada e ganha uma interpretação literalmente flamejante da neta de Charlie Chaplin, Oona Chaplin.

O coração da trama ainda reside na família formada por Jake Sully e Neytiri. A atuação de Zoe Saldaña continua segura e precisa, dando um novo sentido à captura de movimentos, enquanto as crianças seguem carismáticas. Já Quaritch (Stephen Lang) permanece como um vilão caricato. É aí que fica nítido como James Cameron é um engenhoso construtor de mundos. Apesar de o roteiro, assinado pelo cineasta em parceria com os mesmos colaboradores do antecessor, Rick Jaffa e Amanda Silver, seguir a mesma estrutura do longa de 2022, o trunfo está nos personagens e no mundo deslumbrante que os circunda.

Justamente por o universo apresentado ser a grande vedete, torna-se fundamental, como nos filmes anteriores, buscar sessões em 3D, de preferência em IMAX. A franquia foi pensada para esse formato e, no momento, parece ser o único título que realmente justifica essa modalidade de projeção. Assim como o filme de 2009 tornou o 3D praticamente obrigatório, agora é ele quem o sustenta.

Avatar: Fogo e Cinzas sofrerá, sem dúvida, nas comparações com seus antecessores por não carregar o impacto da novidade tecnológica do primeiro nem o salto impressionante do segundo. Com apenas três anos de intervalo desde O Caminho da Água, mantém a mesma qualidade de 3D e CGI vista em 2022, já que os longas foram produzidos quase simultaneamente. Assim, sua eficiência está na manutenção do espetáculo, na conexão com o universo estabelecido e, claro, na habilidade de Cameron para contar uma história, ainda que preso a uma fórmula. Como um brinquedo de parque de diversões, repete sistematicamente sua operação, com a garantia de satisfazer o consumidor.

Avatar: Fogo e Cinzas

Avatar: Fogo e Cinzas
7 10 0 1
Nota: 7/10 – Ótimo
Nota: 7/10 – Ótimo
7/10
Total Score