Humano, demasiadamente humano! Essa exclamação é a única possível ao final do turbilhão emocional que é Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, o novo filme da diretora Chloé Zhao, que enfim chega aos cinemas brasileiros, depois de ganhar prêmios em praticamente todos os festivais que passou e levar o Globo de Ouro 2026 de melhor filme de drama.
Adaptação do best-seller homônimo de Maggie O’Farrell e com produção estrelada de Steven Spielberg e Sam Mendes, a história versa sobre a formação da família de Willliam Shakespeare (Paul Mescal) e a tragédia que se abate sobre seu filho Hamnet, mais sob a perspectiva não do “Bardo de Avon”, mas de sua esposa Agnes, numa performance arrepiante (e também muito premiada) de Jessie Buckley.

Essa perspectiva é transformadora em sua linha narrativa, de um início em que Chloé mimetiza a complexidade de Agnes com a natureza que a rodeia para a humanização cotidiana de uma vida conjugal, materna e ressentida. O que o roteiro e a sensível direção promovem aqui é um tocante paralelismo entre essa jornada e o que a sacrificava, que nada mais era que o crescimento de Shakespeare como mito que virou.

A dor de uma família foi o preço desse História? O olhar de Chloé sobre aqueles personagens (reais e imaginários ao mesmo tempo) rendeu um filme forte naquilo que lhe parece mais sensível: as fragilidades humanadas. Por isso ninguém sai daquele final ileso. Ninguém.








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