A franquia Invocação do Mal, baseada em um casal de investigadores do sobrenatural lidando com assombrações possessões e outros bichos, começou com um inspiradíssimo filme em 2013, mas, como é de praxe em Hollywood, a seriedade foi caindo. O segundo filme até manteve um certo padrão compatível com o original, embora inferior, mas a coisa começou a descarrilhar quando a Warner começou a produzir derivados “Annabelle” e “A Freira” fora o fiasco do terceiro longa. Com “Invocação do Mal 4: O Último Ritual”, a espinha dorsal do Invocaverso tenta dar um fim que seja minimamente satisfatório. E até consegue.

Neste último episódio, Ed e Lorraine Warren, agora buscando se afastar dos embates com espíritos demoníacos e se concentrando mais na área acadêmica, deparam-se com mais um caso aterrorizante, desta vez envolvendo entidades obscuras que desafiam sua experiência. O casal é colocado à prova se vendo obrigados a encarar seus maiores medos, na batalha final contra forças malignas. Agora os Warren precisam mais do que nunca mostrar sua força emocional diante das adversidades, uma vez que a filha do casal, Judy, é peça central do confronto sobrenatural.
Michael Chaves apresenta uma melhora significativa em relação ao último “Invocação”, quando assumiu a cadeira de direção outrora de James Wan, que passou a atuar como produtor. NO anterior, Chaves parecia um cover mal ajambrado do criador. Dessa vez, ele continua não se desprendendo muito da linguagem visual estabelecida por Wan, porém o faz com mais habilidade. No entanto, continua cometendo o erro de imitar seu antecessor justamente onde ele errou, mais precisamente no segundo filme, como no uso de “marionete CGI” e alguns maneirismos surrados.

O roteiro assinado pelos (ir)responsáveis por “A Freira 2”, Ian Goldberg e Richard Naing, juntamente com David Leslie Johnson-McGoldrick (“Invocação 3”) deixa claro que a série não tem muito para onde ir. Restou a eles reciclar o material que tão bem funcionou no primeiro longa e no segundo já tinha aroma de café requentado. O final não faz muito sentido levando-se em conta os rituais na conclusão dos capítulos anteriores.
Vera Farmiga continua sendo o principal alicerce do elenco. É sobre seus ombros que recai a o maior peso da carga dramática (às vezes um pouco acima do tom, o que não é culpa da atriz, e sim do script). Agora Judy, nos episódios anteriores uma garota e neste uma jovem adulta, forma com ela uma espécie de díade. Mia Tomlinson cumpre com retidão o papel da filha dos Warren, agora no olho do furacão. Já Patrick Wilson continua se apoiando no carisma construído para revestir o personagem. Se Lorraine é o segmento mais dramático, Ed é o humor e a aventura. E a química dos dois continua funcionando plenamente.

Ao que tudo indica (inclusive o título), esse “Invocação do Mal 4: O Último Ritual” é o derradeiro ato. E sua maior fragilidade é justamente o excesso de informação, no afã de proporcionar um encerramento espetacular. No entanto, acaba sofrendo com jump scares baratos que costuram uma história que poderia ser liquidada de uma forma bem mais objetiva, porém, a urgência de criar algo épico expande a trama desnecessariamente. Apesar de imperfeito, deve agradar aos fãs que acompanham os Warren desde 2013 e é eficaz em tirar a má impressão da parte 3, fechando a saga com alguma dignidade. A marca provavelmente seguirá com spin-offs, séries de TV. Espera-se que seja feito com o esmero que ao menos consiga remeter ao já clássico filme de 12 anos atrás.









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