Movie Tunes: Estrada para Perdição

A coluna de hoje vai dedicada ao homem que, em seus pouco mais de 50 filmes, mostrou o que é ser um grande ator e morreu neste sábado passado, deixando atônitos aqueles que adoravam seu trabalho: Paul Newman. Estrada para Perdição foi o último filme no qual pudemos ver ele atuando em pessoa e meus…


A coluna de hoje vai dedicada ao homem que, em seus pouco mais de 50 filmes, mostrou o que é ser um grande ator e morreu neste sábado passado, deixando atônitos aqueles que adoravam seu trabalho: Paul Newman.

Estrada para Perdição foi o último filme no qual pudemos ver ele atuando em pessoa e meus amigos, é um filmáço. Para começar, o diretor Sam Mendes, de “Beleza Americana”. Se há uma pessoa que sabe trabalhar perfeitamente as imagens e os fundos, criando ambientações únicas, esse homem é Sam Mendes. A sua tradução em imagens do roteiro de David Self (baseado na Graphic Novel de Max Allan Collins e Richard Piers Rayner) é perfeita, digna de nota.

No elenco, além de Paul Newman como John Rooney, temos Tom Hanks ( Michael Sullivan), Daniel Craig (Connor Rooney), Jennifer Jason Leigh (Annie Sullivan), Stanley Tucci (Frank Nitti) e Jude Law (Harlen Maguire).

O filme conta a história de Michael Sullivan, um pistoleiro da máfia irlandesa, controlada por John Rooney, que é quase um pai para ele, casado e com dois filhos, Michael e Peter. Um dia, enquanto “trabalhando”, seu filho Michael ve ele matando um homem e logo ele e sua família se tornam um risco. Ele tenta contornar a situação toda, mas Connor, mata sua esposa e seu filho Peter. Resta a Michael cair na estrada com seu filho restante, procurando proteger ele ao mesmo tempo em que busca vingança.

O filme começa com o jovem Michael Jr. vendendo jornais às enormes filas de homens que caminham lentamente para seus empregos em meio à neve e ao caos social que se instaurava nos EUA em 1931, após a grande depressão, quando existia ainda a lei seca.

Logo em seguida vemos a família Sullivan jantando e se arrumando para ir à casa de John Rooney, onde está ocorrendo um velório (nota do escritor: Antigamente se faziam os leilões nas casas, prática abolida nos EUA na década de 50, mas que influi até hoje, tanto que as salas de estar, em inglês, se fala Living Room, porque era onde os vivos ficavam velando pelo morto).

Pela primeira vez vemos Paul Newman, pegando os filhos de Michael Sullivan e os levando para uma partida de dados em que as crianças ganham dele. Newman nestes poucos segundos de cena, já mostra que está muito acima dos outros atores.

Rooney brinda à morte de Danny, um de seus capangas. O irmão dele, vai e faz um discurso, levemente inflamado pela bebida, prontamente suspenso por Michael e Connor que o levam para fora de casa. A festa continua e após um intervalo na música da banda (no melhor estilo irlandes de se divertir), vemos John Rooney se sentando ao piano. Para esta cena

A música se chama Perdition Piano Duet e foi escrita por John Williams e pode ser ouvida abaixo:

Aqui começa a tomar forma a verdadeira temática do filme: O relacionamento pai e filho. Vemos que Connor não está nem um pouco feliz de ver o pai sentado ao lado de Michael tocando piano e aqui, novamente, Newman brilha com a simplicidade de sua atuação. O sorriso que ele mostra a Hanks no final da cena é aquele sorriso digno de um pai para com seu filho.

Na noite seguinte, Michael Jr. se esconde dentro do carro do pai para ver com o que ele trabalha. Michael pega Coonor e os dois vão até o irmão do falecido que falou demais. E lá, após uma discussão, Connor mata o irmão e Michael os capangas dele, mas os dois vêem Michael Jr. assistindo a tudo. Eles o perseguem e o fazem jurar guardar segredo.

Obviamente que tudo começa a desandar daí por diante, é onde vemos os dois fatos relacionados a pais e filhos criando suas vinhas sobre o filme. Connor fica enraivecido com seu pai que prefere a companhia de Michael à dele, humilhando-o perante seus delegados e Michael Jr. percebe que seu pai o olha de forma totalmente diferente depois dele testemunhar os fatos ocorridos.

Connor manda matar Michael, que consegue escapar, e vai pessoalmente matar a família Sullivan. Michael Jr vê as mortes acontecendo e consegue se livrar também.

A partir daqui, vemos Michael pai e filho fugindo e tentando arranjar uma maneira de resolver sua situação. A caminho de Chicago temos essa bela música abaixo.

Em Chicago podemos ver mais um pouco do retrato da recessão americana. Pessoas reunidas procurando por empregos em jornais.

Michael tenta se unir a outro mafioso, mas a famiglia é unida e não deixará ele matar Connor. Com toda dor no coração, John manda matar Michael. É aqui que entra Maguire (Jude Law). Além de ser um assassino de aluguel, ele é facinado pela morte, tirando fotos de corpos para a imprensa.

Michael resolve levar seu filho a casa da tia dele, na cidade de Perdition (Perdição). No caminho, Maguire persegue os Sullivan, chegando a ficar cara a cara com eles. Sullivan foge e começa a roubar diversos bancos em que eram depositados dinheiro da Máfia. Ele chega ao contador, mas é interceptado por Maguire, não sem antes roubar alguns livros caixa.

Michael descobre algumas maracutais envolvendo Connor e vai até John. Novamente, vale a pena ver Newman atuando.

O que vemos a seguir é Michael indo até o fim em sua vingança. Ele arruma sua Tommy Gun e parte atrás de John Rooney e Connor. A cena abaixo é a última cena de Paul Newman nos cinemas. Nela, Michael metralha os capangas de Rooney meramente ao som da trilha de Thomas Newman. O som ambiente volta, quando Mike e John se encontram frente a frente.

Ele ainda mata Connor no hotel, mas não sem Maguire matar ele (e morrer no processo) quando Michael e Michael Jr. chegam à Perdição.

Eu sei que esse filme não tem uma trilha sonora daquelas épicas e nem nada, mas Thomas Newman já demonstrou saber fazer estas trilhas atmosféricas que casam perfeitamente com o que vemos na telona, sem se forçar goela abaixo. E obviamente que com a morte de Paul Newman, essa trilha ganhou uma expressão ainda maior, especialmente por causa daquele momento ao piano que eu postei lá em cima.

Esse filme é um daqueles filmes que simplesmente passaram batidos pela crítica, meio que ficando em um zero a zero, mas eu adorei, especialmente por poder assistir Paul Newman atuando ao lado de grandes atores da nova geração. Isso sem falar que Sam Mendes é um pusta diretor, que cria em diversos momentos no filme um silêncio de reflexão, quase como se aquilo mostrasse os pensamentos dos personagens.

É uma pena que nós tenhamos tido tão poucas chances de ver Newman atuando. Basta agora rever os filmes antigos dele em DVD e se maravilhar com sua explendorosa atuação.

J.R. Dib