Depois de Ang Lee, que realizou “O Tigre e o Dragão” em 2000, e Zhang Yimou, responsável por “Herói” (2002) e “O Clã das Adagas Voadoras” (2004), chegou a vez do consagrado Wong Kar Wai, de “Amor à Flor da Pele” (2002) e “Um Beijo Roubado” (2007) lançar seu filme épico sobre artes marciais. Ele levou três anos para realizar seu ambicioso projeto, mas a espera valeu a pena. “O Grande Mestre” (“The Grandmaster”) é uma produção que empolga os fãs de Kung Fu, mas tem mais a oferecer ao público do que simplesmente socos e pontapés na telona.
Ambientada na China de 1936, a trama conta a história de Ip Man (Tony Leung), um especialista no estilo Wing Chun do Kung Fu, que vivia confortavelmente com sua esposa Zhang Yongcheng (Song Hye Kyo) na cidade de Foshan, além de se encontrar com outros mestres. Até que, um dia, chega à região o grande mestre Gong Baosen (Wang Qingxiang), líder do mundo das artes marciais do norte da China, que escolhe Ip Man como o representante do sul numa disputa entre lutadores de diferentes formas do Kung Fu. Quem também vai a Foshan é Gong Er (Ziyi Zhang), filha de Gong Baosen, que deseja ver o torneio, que marca a aposentadoria do pai. Só que, após a ocupação japonesa, as vidas de todos sofrerão mudanças, especialmente com uma traição inesperada, o que leva Ip Man a passar por dificuldades e deixar sua terra natal. Mas, mesmo com tantos problemas, ele não se intimida e monta uma academia de Kung Fu em Hong Kong anos depois, onde consegue vários discípulos, até mesmo o então desconhecido Bruce Lee.
Para contar esta história, Wong Kar Wai resolveu realizá-la da maneira mais espetacular possível, no bom sentido. Suas sequências de lutas, especialmente a que abre o filme, são realmente de tirar o fôlego, graças também ao trabalho feito por Yuen Wo Ping, que ficou conhecido por suas coreografias em filmes como “Matrix”, “O Tigre e o Dragão” e “Kill Bill”, e submeteu os atores a um rigoroso treinamento para que as cenas ficassem perfeitas. Embora a primeira luta, que acontece debaixo de uma chuva forte, seja um pouco longa demais e lembre o que foi mostrado em “Matrix Revolutions”, no combate final entre Neo e o Agente Smith, o resultado final é mais do que satisfatório. A fotografia assinada por Phillippe Le Sourd também é um dos grandes destaques do filme, tornando o épico ainda mais arrebatador. Não foi à toa que ele foi indicado nessa categoria no Oscar 2014 e ganhou vários prêmios em festivais na Ásia.
Mas Wong Kar Wai também se preocupou em desenvolver seus personagens, para que não parecessem simples bonecos de ação na telona. Ele utiliza uma parte da trama para mostrar o que motiva Ip Man e Gong Er a enfrentar os problemas que surgem diante deles. Enquanto Ip Man procura manter sua dignidade apesar de perder praticamente tudo que fazia sentido em sua vida, Gong Er deseja honrar o pai após a reviravolta que ambos sofreram depois do surgimento dos japoneses. Isso torna “O Grande Mestre” ainda mais interessante por ter mais a oferecer do que lutas que desafiam a física, mas também uma questão dramática relevante para a trama. O único porém é que o ritmo lento e contemplativo adotado pelo diretor pode deixar o público um pouco entediado depois de se empolgar com a ação.
No bom elenco, o destaque vai para o casal de protagonistas. Tony Leung, grande astro de vários filmes asiáticos e que já tinha trabalhado com o diretor em Amor à Flor da Pele, mostra que tem carisma e é bastante convincente tanto nas cenas dramáticas quanto nas de ação, levando o espectador a acreditar que ele é mesmo um grande lutador de Kung Fu. Já Ziyi Zhang está bastante confortável, já que seu papel tem algumas semelhanças com aquele que desempenhou em “O Tigre e o Dragão”, filme que a tornou famosa mundialmente. Mas além de bater muito, ela se sai muito bem com os conflitos de Gong Er e desenvolve uma boa parceria com Leung.
Com um bom desfecho, “O Grande Mestre” é um filme que se propõe ser mais do que uma simples sessão da tarde e pode interessar a diferentes tipos de público, não apenas aos que gostam de produções de ação. Além do visual incrível, é possível se fascinar com o equilíbrio de elementos que Wong Kar Wai procurou encontrar para tornar sua obra ainda mais atraente. Quem embarcar na sua ideia, com certeza irá ficar bastante satisfeito.
O Grande Mestre mostra o Kung-Fu com beleza e vigor
Depois de Ang Lee, que realizou “O Tigre e o Dragão” em 2000, e Zhang Yimou, responsável por “Herói” (2002) e “O Clã das Adagas Voadoras” (2004), chegou a vez do consagrado Wong Kar Wai, de “Amor à Flor da Pele” (2002) e “Um Beijo Roubado” (2007) lançar seu filme épico sobre artes marciais. Ele levou…

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