Alexys Agosto lança Ciborgue

No dia 25 de abril de 2024, a artista multilinguagem Alexys Agosto lança as primeiras músicas de seu álbum de estreia “A Fabulosa Viagem de Futurística”, um álbum pop, que transita pelo pelo rock e conta com uma forte influência do funk e ritmos brasileiros. Idealizado por Alexys, o lançamento de “A Fabulosa Viagem de…


No dia 25 de abril de 2024, a artista multilinguagem Alexys Agosto lança as primeiras músicas de seu álbum de estreia “A Fabulosa Viagem de Futurística”, um álbum pop, que transita pelo pelo rock e conta com uma forte influência do funk e ritmos brasileiros.

Idealizado por Alexys, o lançamento de “A Fabulosa Viagem de Futurística” será dividido em três atos, sendo que o primeiro acontece em abril, com o lançamento de um EP. O lançamento do álbum completo nas principais plataformas digitais acontece ainda no primeiro semestre de 2024.

O disco é uma espécie de aventura musical interplanetária, na qual ganha vida Futurística, uma pessoa-ciborgue que se perdeu no espaço-tempo e ficou presa na realidade do planeta Terra.

No ato I, Futurística chega prevendo o futuro, revelando a plasticidade de nossa realidade e anunciando a iminência do fim do mundo. No segundo ato, Futurística foge para o espaço sideral, se joga em uma fenda do espaço-tempo, acreditando que lá ela poderia esticar suas asas. Porém, sozinha, tudo que ela sente é saudade. As músicas do segundo ato exploram as diferentes fases de solidão da personagem. Cansada de estar só, Futurística volta para o nosso planeta e aceita a realidade de ser diferente.

“Ei, você já percebeu? Você é um ciborgue computado tanto quanto eu. Ei, você já percebeu! Minha barba feminina. Sua saia comprida. Minhas unhas pintadas. Seu terno e gravata”, canta a artista na faixa “Ciborgue”, primeiro single do álbum, lançado no dia 04 de abril, que traz influências do rock e narra o momento em que a personagem Futurística fala sobre a plasticidade da nossa realidade e da relação que temos com os gêneros e convenções socialmente acordadas, desenvolvidas ao longo do tempo.

Ciborgue foi composta e arranjada por Alexys Agosto, e produzida por ela, em parceria com Helô Badu e o Maestro Marcelo Amalfi, professor doutor e produtor musical que, em 2021, concorreu ao prêmio Grammy Latino pelo seu trabalho de arranjo vocal com o disco “O Bar Me Chama” da banda Velhas Virgens na categoria Melhor Álbum de Rock ou de Música Alernativa Brasileiro.

Na época em que compôs a música, Alexys estava fazendo uma pesquisa de Iniciação Científica, analisando a obra teatral do grupo Dzi Croquettes (grupo da década de 70 conhecido por misturarem signos “masculinos” e “femininos”, rompendo com a binaridade de gênero e construindo personagens com características andróginas), a partir do Manifesto Contrassexual de Paul Preciado.

No manifesto, Preciado menciona que todas as pessoas são ciborgues preenchidas de próteses tecnológicas,  com tecnologias que se fundiram com a nossa carne, sendo impossível  identificar o que é orgânico e o que é tecnológico.

“Tudo é tão prostético…”, canta a Alexys em “Ciborgue”, usando o termo de Paul Preciado de forma artística, provocando as pessoas ouvintes, sem necessariamente ser fiel ao termo teórico original. A letra denuncia a construção tecnológica do gênero em nossa sociedade e também reivindica a construção de um gênero não binário, que borra as fronteiras entre masculino e feminino, identidade reivindicada pela artista.

“Isso não se trata de ficção científica, mas sim, de uma descrição da nossa própria realidade. Somos ciborgues computados, programados”, ela comenta. 

O início do processo criativo de “A Fabulosa Viagem de Futurística” aconteceu em 2020, com o início da pandemia da COVID-19. Diante da impossibilidade de atuar no teatro, a artista passou a investigar a dramaturgia sonora, construindo uma narrativa através de músicas que desaguaram na criação do disco. 

“A sensação que eu tinha era a de estar presa em uma realidade na qual restava esperar o futuro para retornar a uma vida para além da tela do computador. Diante dessa crise sanitária que transformou radicalmente o estilo de vida naquele período e a virtualidade das relações sociais, surgiu o chamado “novo normal”, que pra mim era como se eu vivesse em um filme de ficção científica”, comenta a artista. 

Por esse motivo, Alexys quis explorar esse gênero narrativo em seu álbum partindo do questionamento: “Quais sonoridades e letras poderiam ser criadas a partir de um universo de ficção científica?”


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