Dois títulos marcantes de Julia Lopes de Almeida (1862–1934) chegam novamente aos leitores: A Intrusa (1908) e A Isca (1922), publicadas pela Janela Amarela Editora. Escritos em momentos distintos da trajetória da autora, os livros reafirmam sua capacidade de transitar entre o drama íntimo, a crítica social e o olhar aguçado sobre o comportamento humano — temas que, mais de um século depois, permanecem atuais.
A Intrusa: a mulher e o moralismo da sociedade
Em A Intrusa, Julia retrata Argemiro, um viúvo rico e respeitado que, após jurar fidelidade à esposa em seu leito de morte, decide nunca mais se casar. Quando contrata uma jovem governanta para cuidar de sua casa e de sua filha, o convívio desperta tensões afetivas e desconfianças na sociedade conservadora do início do século XX.
Com uma escrita envolvente e olhar crítico, a autora expõe o peso das aparências e os julgamentos morais impostos às mulheres, discutindo o papel feminino, o luto, a fidelidade e a moralidade burguesa. Em tom sutil, Julia desmonta o ideal de virtude da época e revela a complexidade emocional de seus personagens — em especial das mulheres, frequentemente presas às expectativas sociais
A Isca: paixões, dilemas e o insólito
Publicado em 1922, A Isca reúne quatro novelas — A Isca, O Homem que Olha para Dentro, O Laço Azul e O Dedo do Velho — que exploram diferentes aspectos da condição humana.
Na história que dá título ao livro, a fragilidade e a doçura da protagonista se tornam instrumento de manipulação, revelando com ironia a hipocrisia das convenções sociais. O Homem que Olha para Dentro mergulha nas angústias e vaidades masculinas, enquanto O Laço Azul apresenta um jogo de enganos e duplicidades envolvendo duas irmãs gêmeas. Encerrando o volume, O Dedo do Velho adiciona uma dimensão sobrenatural à coletânea, narrando a trajetória de um homem assombrado por uma mão misteriosa que o guia numa busca perturbadora.









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