Entre solos e estranhezas: guitarrista revela como o visual ‘alienígena’ de Bowie quase roubou a cena em sua audição para substituir Mick Ronson
Substituir Mick Ronson não era uma tarefa para qualquer um. Em 1974, a sombra das “Aranhas de Marte” ainda pairava sobre a carreira de David Bowie, mas o camaleão já estava pronto para a próxima mutação. O escolhido para essa missão foi um guitarrista de 22 anos vindo da cena de blues de Nova York: Earl Slick.
Em uma conversa franca (e bem-humorada) com a Metro UK durante um evento em Londres, Slick relembrou o choque cultural ao conhecer o “Starman” e a montanha-russa que foi sua parceria de décadas com o ícone.
A Audição “Freak”
Slick descreve sua entrada no mundo de Bowie como algo, no mínimo, bizarro. Convocado pela gerência do cantor, ele se viu sozinho em um estúdio de gravação — e não em uma sala de ensaio comum — tocando por 30 minutos sem sinal de David.
“Nada aconteceu por 10 minutos após eu terminar. E então, David entrou na sala”, relembra Slick. O impacto visual foi imediato, mas não pelo glamour. “Era a coisa das sobrancelhas que me pegou. O homem não tinha sobrancelhas. Eu quase quis perguntar: ‘Você as queimou? Ou você realmente raspa?’ Estou falando sério.”
Apesar do visual alienígena da era Diamond Dogs, a conexão musical foi instantânea. Os dois sentaram com suas guitarras e começaram a tocar, estabelecendo uma dinâmica que Slick descreve como “totalmente normal”, apesar de admitir que, por dentro, estava “se borrando” com a responsabilidade de assumir o posto de Ronson.
Do Estrelato ao Balcão de Vendas

Slick tornou-se o pilar sonoro de álbuns fundamentais como Young Americans e Station to Station. No palco, ele descreve a relação com Bowie como a de “irmãos”, embora mantivessem uma distância saudável fora dele para evitar que as discussões “explodissem em chamas”.
A pressão da indústria, porém, cobrou seu preço. Em 1993, Slick sofreu um colapso emocional. Fiel à promessa de que pararia quando a música se tornasse apenas um “trabalho estressante”, ele abandonou tudo. O guitarrista de Bowie e John Lennon mudou-se para Lake Tahoe e tornou-se vendedor de cotas imobiliárias.
Durante quatro anos, ele ignorou o mundo da música — chegando a recusar chamadas até de Michael Jackson. Foi apenas um convite enigmático de Bowie que o trouxe de volta para o que ele considera sua melhor fase: os anos 2000, incluindo o lendário show em Glastonbury.
O Legado e o Reencontro

Para Slick, o fascínio dos fãs pela fase Ziggy Stardust é pura nostalgia, mas sua conexão era com a “realidade” do palco. “Tivemos nossos altos e baixos, mas, no fim das contas, os melhores shows que fiz em toda a minha vida foram com David. Sem dúvida. Sempre será assim.”
Os fãs terão a chance de ver essa magia ser celebrada novamente. Earl Slick se reunirá com outros ex-membros da banda de Bowie, como Mike Garson e Gail Ann Dorsey, para o evento beneficente Bowie: Live On The Loch, na Escócia, nos dias 7 e 8 de novembro. O evento arrecadará fundos para a Save The Children e terá transmissão global via streaming.







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