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“Dois Caras Legais” traz a marca registrada de Shane Black

Uma das tiradas espirituosas de Martin Riggs (Mel Gibson) em “Máquina Mortífera” é proferida no momento em que ele e Murtaugh (Danny Glover) estão entrando em uma mansão para efetuar uma prisão: “eu acho que vi essa casa no Life Style of Rich and Shameless”. É uma linha de diálogo típica dos roteiros de Shane Black, que fazia ali, aos 26 anos, sua estreia como roteirista em Hollywood.

O filme policial se tornou um grande sucesso, gerou mais três continuações (e em breve um seriado), mas Black pilotou as câmeras pela primeira vez somente em 2010, com “Beijos e Tiros”. Sua terceira incursão na direção é “Dois Caras Legais” (The Nice Guys, EUA/2016), que chega ao circuito nacional neste final de semana. Para os fãs do roteirista/cineasta uma boa notícia: o filme tem sua marca registrada intacta.

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A trama tem como pano de fundo a  Los Angeles da segunda metade dos anos 70, mais precisamente em 1977. Vemos o pai solteiro e detetive particular habilitado PI Holland March (Ryan Gosling), que é contratado para investigar o aparente suicídio de famosa estrela da pornografia Misty Mountain. Como as pistas o levam para rastrear uma garota chamada Amelia (Margaret Qualley), ele encontra o pouco ortodoxo e não tão licenciado detetive particular Jackson Healey (Russell Crowe), e ambos contratados pela jovem hippie.

No entanto, a situação toma um rumo para o pior quando Amelia desaparece e fica aparente que March não é a única parte interessada. Enquanto os dois agentes são forçados a juntar-se, eles terão que se inserir em um mundo cheio de capangas excêntricos, bastidores da indústria pornô e até mesmo uma possível conspiração governamental.

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É inevitável a remissão do argumento de “Dois Caras Legais” ao de “Máquina Mortífera”, pois também se trata da clássica trama de dois agentes de temperamentos distintos que devem trabalhar juntos. Além disso, o mote também gira em torno de um incidente nos bastidores da prostituição/pornografia. Mas apesar das similaridades com seu roteiro mais famoso, Shane Black cria, junto com Anthony Bagarozzi, uma história divertida, com os elementos que funcionaram tão bem em suas produções, como seu característico humor negro, por vezes insano, personagens peculiares e cenas de ação absurdas.

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O filme mostra a veia satírica em relação ao gênero policial, aos excessos da época em que se passa, e aos filmes de ação daquele período. Tudo isso vem embalado em uma ótima reconstituição de época e a boa fotografia, que emula a que era usada em produções do final dos anos 70. E é um alívio ver Black comandando um projeto autoral, depois de “Homem de Ferro 3”, em que atuou como diretor/roteirista contratado. A escolha de Ryan Gosling e Russell Crowe se mostra bastante acertada, assim como a da australiana Angourie Rice, que interpreta de forma impagável a filha de March. Ela rende alguns dos melhores momentos do filme.

Se “Dois Caras Legais” não chega a ser brilhante, e fica claro que não houve essa pretensão, ao menos proporciona uma ótima diversão, sem contar com o fato de ser um roteiro original, sem vinculação com nenhuma grande franquia, o que hoje em dia é um mérito e tanto no cinemão americano. Mais um ponto positivo para Shane Black.

nice guysFilme: Dois Caras Legais (The Nice Guys)
Direção: Shane Black
Elenco: Ryan Gosling, Russell Crowe, Margaret Qualley
Gênero: Comédia policial
País: Estados Unidos
Ano de produção: 2016
Distribuidora: Diamond Films
Duração: 1h 56min
Classificação: 14 anos

 

 

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Publicação Cesar Monteiro