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Night Club: O Clube Noturno apresenta uma narrativa de vampiros no estilo de super-heróis

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Night Club: O Clube Noturno é uma nova série do selo Millarworld da Image Comics, publicada pela Panini em um volume que compila as edições de 1 a 6. Com roteiro de Mark Millar, arte de Juanan Ramirez, cores de Fabiana Mascolo e design de Melina Mikulic, a obra oferece uma narrativa com forte apelo cinematográfico, tanto no tom quanto no ritmo, já que tem acordo com a Netflix para uma adaptação.

A história gira em torno de três alunos do ensino médio, sendo que um deles, Danny, deseja se tornar uma estrela do YouTube através da prática de parkour. No entanto, após um acidente grave, Danny se vê envolvido em um universo de vampiros, inspirado por filmes como Quando Chega a Escuridão (1987) e Os Garotos Perdidos (1987) mas com um toque de Millar que o torna único. A premissa de vampiros transformando-se em super-heróis pode parecer familiar, como o recente trabalho de Chip Zdarsky em The All-Nighter (2022), que explora um tema similar.

Característica do trabalho de Millar, a série mistura sangue, reviravoltas e uma abordagem que pode parecer superficial em termos de desenvolvimento de personagens e enredo. No entanto, Night Club se diferencia por suavizar a habitual violência gratuita de Millar e se dirigir a um público jovem adulto, além de ter potencial para adaptação em série pela Netflix, que possui os direitos das obras de Millar. O que levanta a critíca por Millar escrever com a adaptação em mente, resultando em uma narrativa sem um bom desenvolvimento de personagens.

Os vilões, uma gangue de vampiros motociclistas liderada por um veterano da Guerra Civil, são extremamente desprezíveis, mantendo a tradição de Millar de criar antagonistas assustadores e sem redenção. Um destaque especial é a inclusão da mitologia urbana de Bloody Mary, aqui reinventada como uma vampira terrivelmente perigosa, adicionando uma camada extra de horror à narrativa.

Os pontos positivos da obra incluem a ideia atraente de vampiros super-heróis, a abordagem emocional e impulsiva dos jovens protagonistas, e a forma como Millar respeita e adapta as regras e tradições dos vampiros. A arte de Ramirez merece elogios, com sua composição dinâmica na captura de ambientes realistas, que guia o leitor através das páginas de forma envolvente. As cores de Mascolo são boas, com aspecto natural. O uso marcante da cor para embelezar os momentos, como um vampiro entrando em um quarto de hospital com toques de amarelo, adiciona intensidade às cenas.

No entanto, há críticas a serem feitas. Millar, em certos momentos, parece querer contar muitas coisas de forma apressada, o que pode prejudicar a profundidade e o impacto de alguns elementos da história. A obra sofre do mesmo problema observado em A Ordem Mágica (2018), onde inimigos promissores não recebem o desenvolvimento necessário para se tornarem verdadeiramente épicos. A previsibilidade do final e a falta de um fechamento satisfatório também são pontos fracos que comprometem a experiência de leitura, mas aguardemos a continuidade da série.

Night Club: O Clube Noturno é uma série que combina elementos familiares com novas ideias, resultando em uma leitura interessante e visualmente atraente, apesar de alguns deslizes narrativos.

Night Club: O Clube Noturno

Night Club: O Clube Noturno
6 10 0 1
Nota: 6.5/10 Bom
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6/10
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Cadorno Teles -

Cearense de Amontada, um apaixonado pelo conhecimento, licenciado em Ciências Biológicas e em Física, Historiador de formação, idealizador da Biblioteca Canto do Piririguá. Membro do NALAP e do Conselho Editorial da Kawo Kabiyesile, mestre de RPG em vários sistemas, ler e assiste de tudo.

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