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Stabat Mater faz nova temporada em São Paulo

O espetáculo Stabat Mater, com texto e direção de Janaina Leite, volta a ser apresentado em São Paulo. A montagem reestreia dia 19 de novembro, terça-feira, às 20h, no Teatro de Contêiner Mungunzá.

Em Stabat Mater, Janaina Leite propõe o formato de uma palestra-performance sobre a história da Virgem Maria ao longo dos séculos ao mesmo tempo que tenta dar conta do apagamento da mãe em seu espetáculo anterior, Conversas com meu Pai. Onde estava a mãe? é a pergunta que é indiretamente respondida através da Virgem Maria e o célebre Stabat Mater – ou “a mãe lá estava” – referência ao poema do século XII que consagrou o tema da jovem mãe aos pés do filho padecendo na cruz. Essa mulher que deu à luz “sem prazer e sem pecado”, fecundada enquanto dormia, torna-se o protótipo para a construção no ocidente de um feminino que se dá entre a santa e a promíscua, entre a abnegação e o masoquismo.

A partir do texto Stabat Mater da filósofa e psicanalista Julia Kristeva, a montagem, mais do que sobre a experiência do ser mãe, busca nessa fusão entre o feminino e o maternal, as origens de um arranjo histórico que se reflete, por exemplo, no jogo de carrasco e vítima – que o trabalho tenta desarmar. Não sem antes correr os riscos de enfrentar os mecanismos de gozo e dor que fixam essas posições.

Para a atriz, diretora e autora Janaina Leite, Stabat Mater parte de um jogo de “dramatização” ou psicodramatização de memórias e sonhos, além do material teórico de uma suposta palestra, para investigar o tropo do corpo da mulher como receptáculo. No trânsito do racional ao sonho, do real ao mítico, duas referências fundamentais oferecem as bases estéticas do trabalho: o terror e a pornografia.

“Erotismo e morte compõem o aparente paradoxo que se depreende dessa mãe ‘mais arcaica que real’. Como nos contos de fada em que a princesa é visitada pelo príncipe, ou ainda, nos filmes de terror, por monstros e demônios, a imagem de um corpo inerte, de uma mulher que dorme, opera em looping no espetáculo fazendo avançar o ambiente real para o ambiente de sonho ou pesadelo”, explica ela.

Para o trabalho de criação, Janaina trouxe sua mãe real, Amália Fontes Leite e um ator pornô. “Se antes essas figuras eram quase emanações do inconsciente, sua chegada no processo trouxe novos significados que a peça buscará revelar em uma camada documental do percurso”, conta. A mãe é o duplo de Janaina no jogo de identificação e repulsa. É sobre ela que recai o ato de degola no último quadro, pois se trata de matar uma certa herança feminina para dar lugar ao novo. E, para o novo, é ela, a mãe, medusa decapitada, que acorda de um sono secular, para dirigir uma cena de sexo entre a filha e o ator pornô.

É através desse imaginário, que Janaina refaz o caminho de volta pelo labirinto minotáurico que foi o processo de Conversas com meu Pai e constata que na sombra dessa tragédia incestuosa onde protagonizavam absolutos pai e filha ainda que denegada, excluída, a mãe lá estava.

Stabat Mater

Reestreia dia 19 de novembro, terça-feira, às 20h, no Teatro de Contêiner Mungunzá.
Concepção, Direção e Dramaturgia – Janaina Leite.
Performance – Janaina Leite, Amália Fontes Leite e Priapo.
Participações Especiais – Príapo amador – Lucas Asseituno e Príapo Profissional – Loupan.
Dramaturgismo e Assistência de Direção – Lara Duarte e Ramilla Souza.
Colaboração Dramatúrgica – Lillah Hallah.
Direção de Arte, Cenário e Figurino – Melina Schleder.
Iluminação – Paula Hemsi.
Videoinstalação – Laíza Dantas.
Sonoplastia e Operação de Som e Vídeo – Lana Scott. Operação de Luz – Jhenifer Santine. Preparação Vocal – Flávia Maria Campos.
Provocação Cênica – Kênia Dias e Maria Amélia Farah.
Concepção Audiovisual e Roteiro – Janaina Leite e Lillah Hallah.
Direção de Fotografia – Wilssa Esser.
Participação em Vídeo – Alex Ferraz, Jota, Kaka Boy, Hisak, Mike e Samuray Farias.
Assistência Geral – Luiza Moreira Salles.
Direção de Produção e Circulação – Carla Estefan – Metropolitana Gestão Cultural.
Assessoria de Imprensa – Nossa Senhora da Pauta.
Identidade Visual e Projeções – Juliana Piesco.
Fotos e Registro em Vídeo – André Cherri.
Recomendação etária – 18 anos. Duração – 100 minutos.
Temporada – Até 11 de dezembro. Terça e quarta-feira, às 20h.
Ingressos – R$ 40,00 e R$ 20,00 (meia-entrada) a venda pelo site eventbrite.com.br

TEATRO DE CONTÊINER MUNGUNZÁ
Rua dos Gusmões, 43 – Luz (próximo à estação Luz do metrô).
Acesso para deficientes físicos.
Capacidade do Teatro – 99 lugares.
Bilheteria – Abre duas horas antes do início das apresentações (aceita dinheiro e cartões débito/ crédito Visa e MasterCard).

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