“Blade Runner” é um daqueles filmes prefeitos que dispensam continuações ou prequels sob risco de macular a obra-prima original. Mas, nesses tempos em que a ordem parece mesmo ser retomar as franquias, o clássico de Ridley Scott lançado em 1982 está ganhando uma continuação, que como fãs, esperamos muito que não faça vergonha em relação ao original (equiparar-se ou superar é impossível). Com a divulgação do primeiro trailer completo (o anterior era um teaser) de “Blade Runner 2049”, podemos ter uma ideia melhor do que vem por aí.

O trailer abre com uma tomada de uma pirâmide que pode ser a mesma da Tyrell Corporation no filme original, ou apenas uma referência visual. Fica subentendido que a problemática entre humanos e replicantes se acirrou dos eventos do filme original para esse, que se passa trinta anos depois. É interessante observar uma tomada que mostra um carro voador passando por um gigantesco display com uma propaganda da Atari. Mantém a identidade visual e remete às propagandas vistas nos telões do primeiro filme, que se tornaram ícones da cultura pop.

Outro elemento curioso é o cenário pós-apocalíptico que se constituiu em torno da Los Angeles futurista. É a região onde o agente K, interpretado por Ryan Gosling vai em busca de Deckard (Harrison Ford), o caçador de androides do primeiro filme e que agora parece estar procurando não ter seu paradeiro descoberto. Ele diz “eu já tive seu trabalho. Eu era bom nele”. Mais à frente ele diz a K: “Eles sabem que você está aqui”. Em seguida vemos os dois escapando de uma explosão. Deckard deve ser o elemento a ser encontrado, como J F Sebastian (William Sanderson) no original.

Jared Leto faz o papel de um fabricante de replicantes como o Dr. Eldon Tyrell. Pode-se notar que ele usa uma indumentária que remete a um quimono, o que indica que, assim como no primeiro filme, a influência oriental estará presente. A personagem de Mackenzie Davis, ainda não definida, aparece de relance duas vezes e chama atenção por uma certa semelhança com a Pris de Daryl Hannah. Ao final do trailer, a personagem Joi (Ana de Armas) diz a K que sempre soube que ele era especial e que a história ainda não acabou, há ainda uma página faltando (nesse momento vemos o personagem abrindo um livro com páginas arrancadas). Daí, fica a pulga atrás da orelha se o protagonista é um replicante, dúvida que também recai sobre Deckard na versão do diretor.

Pelo que se pode ver na prévia, o filme mantém a identidade visual do anterior tanto na ambientação (com alguns upgrades, como aquele holograma na rua) quanto na fotografia.  O grande receio é em relação ao ritmo imprimido na trama. São vistas no trailer várias cenas de ação encadeadas. Se forem enveredar por esse caminho a produção pode se diluir no espetáculo montanha russa. Mas talvez essa pode ter sido a mesma estratégia do trailer do primeiro filme, que enganou muita gente com uma montagem das poucas cenas de ação, dando a entender que esse seria o tom do filme. O resultado nós sabemos. O público esperando algo na linha “Star Wars” se decepcionou com as questões existenciais que permeavam a trama e o longa foi um fracasso de bilheteria, para mais tarde se tornar um cult. Mas no caso de 2049, o diretor Denis Villeneuve já entra em um contexto favorável, com uma base de fãs já sedimentada, que certamente ficará grata se ele seguir a mesma linha do clássico que se tornou uma referência na ficção científica.

O elenco de “Blade Runner 2049” conta com Jared LetoMackenzie DavisCarla JuriBarkhad AbdiDavid DastmalchianHiam AbbassRobin Wright, Dave Bautista e Lennie JamesDenis Villeneuve (“Sicario – Terra de Ninguém”, “A Chegada”) fica a cargo da direção. Ridley Scott, diretor do filme original, volta como produtor executivo. O filme chega aos cinemas em 5 de outubro.

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Análise do filme original na coluna Cinema em Casa