Starr vive entre dois mundos: o bairro pobre onde mora e o colégio particular onde estuda. Uma mocinha de 16 anos, com amigos, problemas com os irmãos, vai a festas e também ajuda o pai no trabalho. Até que o equilíbrio de sua vida é quebrado. Ela presencia morte de seu melhor amigo por um policial. A partir daquele momento, todo o que Starr diga sobre a aterradora noite que mudou sua vida poderá ser usado desculpa por uns ou como armas para outros. E o pior de tudo é que tanto os policiais como os traficante esperam que ela dê um passo em falso para pôr fim a sua vida.

Na atualidade, o número de crimes de ódio no mundo vem aumentando de forma alarmante. E nos casos de condenação pelos crimes, na maioria dos casos, o tratamento mais violento são com afro-descendentes, entre outros problemas que o racismo implica, como a desconfiança nas ruas ou nas grandes cidades. E a estimativa, nos EUA, 59,2% de crimes por motivos raciais são, em sua maioria, contra a comunidade afro-americana, 19,7% por motivos religiosos, a maioria contra judeus e muçulmanos, enquanto 17,7 por causa da orientação sexual.
A sinopse e o momento que vivemos me levaram ao livro de Angie Thomas, O ódio que você semeia, e dentro do gênero juvenil não ser tão recorrente a temática ainda aumentou meu interesse. Com uma narrativa rápida e que não implica muita análise do leitor para entender o que ocorre na história. Precisamos entender que, por ser dirigida aos adolescentes, os detalhes não são tão explícitos como são na vida real, mas poderia dar a importância necessária para criar consciência nos leitores.

O conflito se origina por uma disputa com a polícia que termina em tragédia, o que muda a perspectiva de Starr a respeito da vida que levava anteriormente e após o triste ocorrido. Mas o problema da autora de não arriscar aprofundar na realidade do problema, no dano que resulta está dentro de uma minoria faz falta à história. Além disso, Thomas recorre a típica trama de uma relação amorosa, o que leva a protagonista esquecer ao que é realmente importante. E, também, o conflito com suas amigas poderia ter sido omitido ou ter sido apresentado que não fosse tão superficial.

Mesmo assim, parabenizo a Thomas por escrever uma narrativa juvenil com toques políticos que tanta falta faz na atualidade. O que vemos é que as gerações atuais estão se acostumando com estas situações, por vê-las todo os dias na televisão, redes sociais, jornais, etc. E na busca para criar certa consciência, se arrisca com O ódio que você semeia ao dirigir ao público jovem, dando detalhes que conseguem a empatia com os personagens.

A autora e a capa original norte-americana.
É certo que a trama tarda a evoluir, mas pouco a pouco aumenta seu interesse para chegar à conclusão; a qual, é um dos pontos fortes do livro, por ser realista e não busca o final que alguns clichês transpareciam em surgir. Uma estreia poderosa, que apesar de não ser perfeita, me leva a seguir a autora em seus futuros projetos. É um livro que inova, convidativa ao respeito e a luta contra a onda de ódio que cresce no mundo. Recomendo.