O espetáculo Nu de Botas, com direção, criação e idealização de Cristina Moura e dramaturgia de Cristina Moura e Pedro Brício, baseia-se na obra homônima de Antonio Prata, que traz deliciosas memórias de infância contadas a partir do ponto-de-vista infantil: as dúvidas próprias às crianças quando especulam sobre o universo dos adultos, as primeiras experiências nos mais diversos âmbitos (viagens, festas, descoberta e aprendizado sobre o sexo e a sexualidade, separação dos pais), as brincadeiras e programações de televisão típicas dos anos 80, como o programa do Bozo, entre outros achados preciosos.

O texto mistura o olhar singelo da criança e sua característica de ver as coisas do mundo pela primeira vez às perguntas sagazes que fazem e que muitas vezes desconcertam os adultos, tanto por não permitirem uma resposta fácil, quanto por serem feitas em lugares que não são, no mundo adulto, os mais adequados.

Dramaturgia e direção encontram soluções interessantes para o conteúdo trazido pelo texto de Antonio Prata, tornando-se, o espetáculo, cada vez mais harmônico nas progressões e mudanças de cenas. O elenco afinado vai se alternando nas memórias e situações contadas pelo personagem-narrador, diluído entre os atores, que ora contracenam, ora estão sozinhos. No palco, Inez Viana, Isabel Gueron, Pedro Brício, Renato Linhares e Thiare Maia Amara revezam-se incorporando as memórias trazidas pelo autor. Renato Linhares, por exemplo, está ótimo incorporando o Bozo (quem cresceu nos anos 80 vai se deliciar lembrando da corrida dos cavalos e da forma como o Bozo falava ao telefone com os pequenos fãs).

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Há também momentos hilários, como quando estão todos em um passeio no carro e descobrem uma cena inusitada no veículo ao lado, pedindo explicações ao pai, que, por sua vez, revela, não sem constrangimento, um mundo de informações novas que deixam as crianças absolutamente perplexas, causando uma verdadeira revolução na forma como veem o mundo e os adultos. A dinâmica da cena e o jogo entre os atores encontra um timing perfeito aí e em outros bons momentos do espetáculo.

A direção musical de Domenico Lancelotti tem momentos bons, mas às vezes peca por um excesso de som, que dificulta o entendimento e a audição do texto em alguns trechos. O cenário, todo em tons pastéis, incluindo partes do banheiro, do quarto, uma escada que leva a um segundo andar, é também interessante, dando a sensação de abarcar os cômodos principais da casa de infância, lugar onde de fato se passa grande parte da vida de uma criança dos anos 80, ainda não mergulhada em mil atividades que ocupem o tempo sem deixar brechas.

Nu de Botas concatena de modo fluido o texto impecável de Antonio Prata, a leveza da dramaturgia de Cristina Moura e Pedro Brício e a temática nostálgica, sem excessos e sem pieguice, própria às obras memorialísticas.

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Ficha Técnica

Baseado na obra de Antonio Prata
Direção, Criação e idealização: Cristina Moura
Dramaturgia: Cristina Moura e Pedro Brício
Criação e interpretação: Inez Viana, Isabel Gueron, Pedro Brício, Renato Linhares e Thiare Maia Amaral
Cenografia e design gráfico: Radiográficos
Figurinos: Ticiana Passos
Direção Musical: Domenico Lancelotti
Iluminação: Francisco Rocha
Assessoria de Imprensa: Daniella Cavalcanti
Fotos: Maria Estephania

Serviço:

Temporada: 09/09 a 16/10
Local: Teatro III do Centro Cultural Banco do Brasil (RJ)
Endereço: Rua Primeiro de Março, nº 66 – Centro – Rio de Janeiro
Horário: quarta a domingo, às 19h30
Ingressos: R$20,00 (inteira) e R$10,00 (meia-entrada*), na bilheteria do Centro Cultural Banco do Brasil ou no site www.ingressorapido.com.br
Formas de Pagamento: Dinheiro e cartões Mastercad, Redeshop, Visa e Elo
Funcionamento da bilheteria: de quarta a segunda, das 9h às 21h
Tel. para informações: (21) 3808-2052
Capacidade: 60 lugares
Duração: 75 minutos
Classificação: 14 anos
Gênero: comédia
Acesso para pessoas portadoras de necessidades especiais e cadeirantes.
*meia-entrada: Estudantes, Metro Rio, Sesc, assinantes O Globo, funcionário e cliente BB, Professores da Rede Pública do Município do Rio de Janeiro e maiores de 60 anos são beneficiários de desconto de 50%. A venda de meia-entrada é direta, pessoal e intransferível e está condicionada ao comparecimento do beneficiário aos pontos de venda, munido de documento original que comprove condição prevista em lei. É obrigatória a apresentação dos documentos também na entrada da sessão.