Son of saul
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“Filho de Saul” e a atmosfera da desolação

Quando o cinema se debruça sobre o delicado tema do Holocausto, geralmente, ele resulta em diferentes perspectivas, mas acaba sempre – em maior ou menor escala – se deixando levar por fetichismos dramáticos do tema. Poucos foram exceções a regra.

O badalado filme húngaro (que tem ganhado todos os prêmios e deve levar o Oscar de filme estrangeiro) Filho de Saul suplanta qualquer maneirismo do “gênero” ao abordar de maneira dura, crua e violentamente psicológica, 36 horas na vida de Saul Aüslander (Géza Röhrig, preciso e comovente), um prisioneiro húngaro que atuava no Sonderkommando, grupo de judeus que trabalhava forçadamente no campo de concentração de Auschwitz, que encontra o corpo de seu filho (?) e faz de tudo para conseguir dar um enterro segundo suas tradições, em meio aos revezes nazistas do lugar e da época.

O diretor László Nemes, com frescor e astúcia de um primeiro longa, se vale de uma linguagem fílmica um tanto dramática e eloquente ao colar sua câmera o tempo todo quase como que nos ombros de seu protagonista, numa visão fotográfica ao mesmo claustrofóbica e urgente de seu prisma (dimensionando ainda mais a sensação ao optar pelo formato de tela reduzida).

Nemes nos conduz a trajetória de seu pai desesperado para enterrar o filho (ou o que acha sê-lo) num crescente de tensão e comoção que nivela os horrores daqueles tempos e como isso significou para cada um diante de seus desesperos pessoais em conjuntura coletiva. O filme não abranda nunca essa visão.

Trata-se de um filme pesado, angustiado e um tanto doloroso. O que o torna diferente dos exemplares que tanto estilizaram o tema é justamente sua face provocadora ao tornar uma lamentável memória recente, num filme tão crível e cheio de alma, mesmo retratando o desencanto de quem não tinha mais nenhuma. Ótimo filme, mas é para acabar com o dia de qualquer um…

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